27/06/2013
Atualizada: 27/06/2013 00:00:00
Foi publicada na edição desta quinta-feira (27) do Diário Oficial da União, a lei que institui o Dia Nacional da Matemática, a ser comemorado anualmente em todo o território nacional no dia 6 de maio, data de nascimento do matemático, educador e escritor Júlio César Mello e Souza, conhecido como Malba Tahan, seu pseudônimo. O texto foi sancionado pela presidenta Dilma Rousseff na quarta-feira (26) (veja abaixo na íntegra da Lei)
A Sociedade Brasileira de Educação Matemática (SBEM) registra, em nota divulgada em seu site, que há quase dez anos a comunidade de educadores matemáticos aguardava esse desfecho. Apresentado inicialmente em 2004 pela então deputada goiana, professora Raquel Teixeira, por sugestão da SBEM, o Projeto de Lei (PL) de número 3.482 foi aprovado por encaminhamento do deputado Roberto Policarpo (PT-DF), no dia 5 deste mês.
Segundo a SBEM, a intenção é divulgar a Matemática como área de conhecimento, sua história, suas aplicações no mundo e sua ligação com outras áreas de conhecimento, buscando derrubar o mito de que aprender Matemática é difícil e privilégio de poucos. De acordo com a Lei, o Poder Executivo incentivará a promoção de atividades educativas e culturais alusivas à data.
Sobre Malba Tahan - Nascido no Rio de Janeiro, em 1895, Malba Tahan faleceu em 1974, no Recife, aos 79 anos. Escreveu mais de uma centena de livros sobre Matemática Recreativa, Didática da Matemática, História da Matemática e Literatura Infanto-juvenil. A centralidade de suas histórias está em aventuras misteriosas, com beduínos, xeiques, vizires, magos, princesas e sultões. Entre suas obras está o romance O Homem que Calculava, já traduzido para doze idiomas. Nessa obra pode-se ler sobre as aventuras de Beremiz, um árabe que gostava de resolver os problemas cotidianos com soluções matemáticas. É nesse livro que está publicado o problema dos 35 camelos, um dos mais famosos criados pelo autor.
Como um professor ousado para a época, ele gostava de ir muito além do ensino teórico e expositivo. Por isso, em suas aulas, Tahan elaborava enigmas para iniciar suas explicações. Em seu modo de brincar com as coisas da matemática, dizia que existem números alegres e bem-humorados, frações tristes, multiplicações carrancudas e tabuadas sonolentas, pois, para ele, os números e as propriedades numéricas eram como seres vivos.
Malba Tahan criticava duramente professores de matemática. Para ele “o professor de Matemática em geral é um sádico: sente prazer em complicar tudo”. Tahan também nunca atribuía nota “zero” nem reprovava seus alunos. Sobre essa postura ele perguntava: “Por que dar zero se há tantos outros números?”.
Relembrando o caso dos camelos – No livro O Homem que Calculava, Malba Tahan conta a seguinte história: Beremiz, o homem que calculava, estava viajando pelo deserto de carona no camelo de seu amigo. A certa altura, encontraram três irmãos discutindo acaloradamente. Eles não conseguiam chegar a um acordo sobre a divisão de 35 camelos que o pai lhes havia deixado de herança. Segundo o testamento, o filho mais velho deveria receber a metade, ao irmão do meio caberia um terço e o caçula ficaria com a nona parte dos animais. Eles, porém, não sabiam como dividir dessa forma os 35 camelos. A cada nova proposta seguia-se a recusa dos outros dois, pois a metade de 35 é 17 e meio. Em qualquer divisão que se tentasse, surgiam protestos, pois, a terça parte e a nona parte de 35 também não são exatas, e a partilha era paralisada. Como resolver o problema?
"É muito simples", atalhou Beremiz, que dominava muito bem os números. Pedindo emprestado o camelo do amigo, propôs uma divisão dos agora 36 camelos. Sendo assim, o mais velho, que deveria receber 17 e meio, ficou muito satisfeito ao sair da disputa com 18. O filho do meio, que teria direito a pouco mais de 11 camelos, ganhou 12. Por fim, o mais moço em vez de herdar 3 camelos e pouco, ganhou 4. Todos ficaram muito felizes com a divisão. Como a soma 18 + 12 + 4 dá 34, Beremiz e o amigo ficam com dois camelos. Devolvendo o camelo de seu amigo, o homem que calculava ficou com aquele que sobrou.
Pergunta-se: Como Beremiz resolveu o problema dos irmãos e ainda saiu ganhando um camelo?
Matéria realizada com informações e textos dos sites da Sbem, Professor Cardy e da Secretaria de Educação do Paraná.
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