07/08/2013
Atualizada: 07/08/2013 00:00:00
Professores da universidade reivindicam, entre outras questões, a equiparação salarial com os docentes da educação básica, reestruturação do PCCR e democratização da instituição
Os docentes da Universidade Estadual de Roraima (Uerr) estão em greve por tempo indeterminado desde segunda-feira (5), após decisão em assembleia realizada no dia 30 de julho. A principal reivindicação é a equiparação salarial com os professores da educação básica que, segundo a presidente do Sindicato dos Docentes da Uerr (Sinduerr), Maria José dos Santos, possuem salários 33% maior que os docentes de ensino superior.
De acordo com o Sinduerr, Seção Sindical do Andes-SN, a decisão foi tomada após mais de um ano de tentativas de negociação com o governo por parte dos professores, que não foram atendidos. Entre outras pautas, os docentes pedem a reestruturação do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCR), melhorias na estrutura física, bibliotecas e laboratórios e a democratização da instituição, com eleições para reitor e diretores de campus.
“A greve continua por tempo indeterminado. A universidade vem sofrendo com o descaso desde a sua criação, em 2006. Nós não temos nenhum tipo de gratificação de docência, é cobrada dedicação exclusiva que não é paga, a universidade é multicampi e por isso temos que nos deslocar para vários municípios, em viagens que duram cinco, seis horas, que resulta em uma precarização imensa de trabalho.
Não temos alojamento, nem hotel, e a situação no interior é totalmente precária”, afirma Maria José. A presidente do Sinduerr acrescenta que não há nenhuma biblioteca em nenhum campus do interior, e que os professores ainda dão aulas em quatro salas descentralizadas, localizadas em áreas indígenas e rurais dos municípios. Sobre o PCCR, Maria José afirma que o Plano é o mesmo de quando a universidade foi criada. “Não possuímos um PCCR construído com a base da universidade”.
De acordo com a 2ª secretária da Regional Norte I do Andes-SN, Vânia Kowalceuk, todos os professores aderiram à paralisação em cinco dos seis campi. No campus Rorainópolis, 50% dos docentes interromperam as atividades. “Os professores continuam paralisados e poucos estão lotados nos campi do interior. No caso dos docentes lotados no campus de Rorainópolis, metade aderiu à greve.
Os alunos também estão parados e apoiam o movimento. Todas as manhãs, os docentes se encontram em frente à Uerr e, as terças e quintas, eles se reúnem na Assembleia Legislativa”, explica.
A diretora do Andes-SN conta que há casos de docentes que dão aula em três campi diferentes. “Na mesma semana, tem professores que dão aula em Boa Vista, em um campus do sul e em outro do norte da cidade”. Vânia acrescenta que a questão do salário dos professores também é séria.
Maria José conta ainda o DCE aderiu integralmente à greve e também possui uma pauta que foi entregue ao governo do estado, que reivindica, entre outras questões, assistência estudantil e vestibular regular. “A situação em que nos encontramos denuncia que a universidade está abandonada. Nosso lema é que a educação não se faz com improviso. Exigimos respeito aos estudantes e trabalhadores da universidade”.
“Esses discentes têm estudado em uma universidade cuja infraestrutura é inferior até mesmo a de algumas escolas do ensino básico. Esta precariedade na estrutura mais os baixos salários dos docentes faz com que a universidade perca professores dia-a-dia, além de não oferecer aos discentes uma estrutura minimamente adequada para que tenham uma formação mais competitiva e de qualidade”, afirmou o Sindicato na sua página no facebook.
Influência política
Segundo a presidente do Sinduerr, é grande a influência que os deputados têm na Uerr. “Os cargos em comissão, que possuem altíssimos salários, são dados a pessoas indicadas pelos deputados. Pedimos inclusive que estes valores sejam reduzidos e que sejam investidos em melhorias na instituição. Com esta situação, a universidade enfrenta greves problemas com a falta de gestão”, afirma Maria José.
Negociações
Nesta terça-feira (6), o Comando de Greve informou, por meio de comunicado (confira o documento), que o Sinduerr recebeu um ofício expedido pela Reitoria da universidade, que havia sido negociado em reunião na segunda-feira (5). No entanto, de acordo com o Comando de Greve, a minuta do projeto de lei que contempla a equiparação salarial proposta pelo governo, que deveria ser encaminhada junto ao ofício, não foi entregue. “Desconhecemos o termos presentes no referido documento. Assim, informamos que permanecemos aguardando-o para apreciação da Comissão de Negociação (...)”, conclui o Comando de Greve.
Maria José acrescenta que a pauta de reivindicações foi entregue e protocolada no governo na semana passada. No dia 5, os professores foram recebidos pelo chefe da Casa Civil, Sérgio Pillon, que se comprometeu a encaminhar uma proposta. “Continuamos esperando o projeto que já passou pela Secretaria de Planejamento e que está na reitoria, para que possamos avaliar. Quando o documento chegar, convocaremos nova assembleia para discutir a proposta do governo”.
* Foto (à esquerda) - retirada do blog Fato Real
* Foto (à direita) - Antonio Diniz/Folha Mobile