Siga nosso canal

15/08/2013
Atualizada: 15/08/2013 00:00:00


Data: 15/08/2013


Sala dos Conselhos Superiores ficou lotada de estudantes de todo o país que estão no campus do Fundão participando do Encontro Nacional de Casas de Estudantes (Ence)


Depois da discussão sobre a crise dos hospitais, a sessão do Consuni da última quinta-feira (8) já estava em outro ponto de discussão quando foi surpreendido por dezenas de estudantes que lotaram a sala dos Conselhos Superiores. O grupo, composto de jovens discentes de todo o Brasil, está na UFRJ para participar do Encontro Nacional de Casas de Estudantes (Ence).

A pauta dos estudantes da UFRJ, que foi apoiada pelo movimento nacional, exige, entre outras coisas, democracia nas decisões tomadas pela Superintendência Estudantil (SuperEst) e pela administração central da universidade, especialmente no que diz respeito à reforma do alojamento. “Eles tomam decisões sozinhos, sem participação dos estudantes, sem conhecerem nossas necessidades”, afirmou Wanderson Magalhães, que faz parte da Assembleia de Estudantes do alojamento.

Também houve a demanda para que o Consuni formasse uma comissão para tratar do assunto. O conselheiro Roberto Leher e a ouvidora da UFRJ, Cristina Riche, apoiaram o pleito. A comissão foi aprovada e contará com representação do DCE Mário Prata, da SuperEst, da Associação de Pós-Graduandos, da Escola de Serviço Social e da Secretaria Nacional de Casas de Estudantes.

O superintendente geral de Políticas Estudantis, Antônio José de Oliveira, disse que não nega que a situação do alojamento não seja a ideal: “as questões de assistência estudantil são graves, sim”. Mas, se defendeu: “a SuperEst é um órgão executivo. Não se faz política apenas com execução. Este é um limitador”.

Oliveira disse também que a questão da moradia é a mais grave da assistência estudantil: “ela deixa evidente a nossa incompetência porque não conseguimos até hoje implantar uma gestão democrática desse espaço. É a parte visível, o cume do iceberg”.

Déficit de moradia

O professor Antônio José afirmou que aproximadamente 25% dos alunos hoje ingressantes na UFRJ sobrevivem com até um salário mínimo e meio. Dos 50 mil alunos que a universidade recebe atualmente, segundo o superintendente, cerca de 20% entram por políticas de cotas. “Isso equivale a termos outros dez prédios iguais ao que temos hoje”.
 
O pró-reitor de Extensão, Pablo Benetti, afirmou: “temos 500 moradias, mas a necessidade é de 12.500. Esta é a nossa demanda. E acreditem, não dormimos tranquilos sabendo que 12 mil alunos podem deixar a universidade por não terem onde morar. Estamos conscientes desse déficit”.
 
Ocupação irregular
O superintendente geral de Políticas Estudantis, Antônio José de Oliveira, apresentou outro dado: mais de 40% das vagas do alojamento são ocupadas irregularmente. São os chamados “agregados”: “na próxima quarta-feira (14) irei à Polícia Federal falar sobre o caso. Irei como indiciado e vou ter que explicar à polícia a razão da ocupação irregular, assim como tenho que explicar aos estudantes que estão na fila de espera o motivo de eles não poderem entrar no alojamento. Não estou discutindo a necessidade, quem está lá certamente não tem para onde ir, mas quem ocupa irregularmente tira a vaga de outro”, disse.
 
Para a estudante do DCE, Gabriela Celestino, da bancada discente, faltam na UFRJ e em outras universidades políticas para permanência estudantil: “as pessoas estão tendo acesso, mas sem permanência. Isso não pode continuar. Não podemos aceitar a forma como os estudantes estão sendo tratados. Sou da Enfermagem e lá aprendemos muito sobre humanização. Esta humanização, no entanto, não está sendo aplicada pela Reitoria”, desabafou.

* Com edição do ANDES-SN

 

* Foto: Marco Fernandes

 

 

 

 

Fonte: Andes SN por : Adufrj

2026

Adufal - Associação dos Docentes da Universidade Federal de Alagoas

Acesso Webmail