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29/08/2013
Atualizada: 29/08/2013 00:00:00


 

Data: 26/08/2013

 

Ocupação do Incra e MDA por trabalhadores obriga governo a negociar

Desde a madrugada de 19 de agosto, quase mil trabalhadores rurais, ligados à agricultura familiar de varias regiões do país, ocuparam a sede do Incra e do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) em Brasília, exigindo do governo federal uma resposta à pauta de reivindicações entregue ainda por ocasião da marcha a Brasília de 24 de abril. O movimento foi liderado pela Confederação Nacional dos Agricultores Familiares (Conafer), Movimento Brasileiro dos Sem Terra (MBST) e Movimento de Luta pela Terra (MLT) e contou com a participação do MST. Na quarta-feira (21), à noite, os trabalhadores deixaram o local e voltaram aos seus lugares de origem.
 
Fruto da pressão exercida pelos trabalhadores o governo, pela primeira vez se estabeleceu uma negociação concreta da pauta entregue pelos diversos movimentos. O governo se comprometeu a solucionar parte dos problemas apontados pelos trabalhadores, seja no que diz respeito à liberação de crédito para assentados, e no que diz respeito à obtenção de terra para assentamento de reforma agrária.
 
Na avaliação do presidente nacional da MBST, José Mario, o movimento saiu vitorioso daação. “Com essa ocupação conseguimos discutir nossas reivindicações, a luta dos companheiros, principalmente das mulheres, foi que possibilitou essa conquista”, disse.
 
O presidente da Conafer, Carlos Lopes, também destacou a força da mobilização  como determinante para o movimento arrancar parte do atendimento de suas reivindicações. “Essa ocupação mostra que a força da mobilização arranca vitória”, destacou o dirigente que, ao final de sua declaração, agradeceu o apoio da CSP-Conlutas durante a ocupação.
 
Para o coordenador nacional do MLT, Acinemar Gonçalves, a ocupação serviu para chamar atenção sobre a urgência de se fazer reforma agrária, mas a luta não deve parar.  “Alguns problemas foram resolvidos, mas precisamos avançar mais. Ainda precisamos ver o resultado dessa ação e se o governo realmente vai cumprir o que prometeu. Se eles não cumprirem, retornaremos com a mobilização”, salientou.
 
Na avaliação do dirigente da CSP-Conlutas Nacional, José Maria de Almeida, o resultado é um primeiro passo, mas que deixa uma lição importante: “só com luta e muita pressão este governo faz alguma coisa em favor da reforma agrária e dos pequenos agricultores. Por outro lado, é preciso manter a vigilância e a pressão, pois o governo pode querer não cumprir os compromissos assumidos com os movimentos. Não seria a primeira vez. Os trabalhadores prometem que continuarão mobilizados e, se for preciso, voltarão”, frisou. Para Zé Maria, é em movimentos como este que vão se gestando alternativas para a organização e a luta dos trabalhadores no campo. A CSP-Conlutas apoiou a luta dos agricultores desde o início do movimento, e continuará reivindicando a reforma agrária, o apoio ao pequeno produtor rural, e em defesa dos direitos dos trabalhadores do campo. 
 
* Com edição do ANDES-SN

 

* Foto: Isabella Formiga/G1

 

Fonte: Andes SN por CSP-Conlutas

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