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10/09/2013
Atualizada: 10/09/2013 00:00:00


 

O associado da Adufal, professor e historiador Douglas Apratto Tenório e o também historiador Golbery Luiz Lessa fazem nesta quinta-feira (12), às 19h, na Associação Comercial de Maceió, no Jaraguá, o lançamento do livro “O Ciclo do Algodão e as Vilas Operárias”. Editada pela Edufal, a obra foi realizada a partir do levantamento de documentos, textos, imagens e entrevistas com moradores remanescentes das antigas vilas operárias de Alagoas, espaços onde nasceram os primeiros partidos da esquerda alagoana.

Apresentada em duas partes fisicamente distintas – cada autor escreveu metade do total das 184 páginas do livro –, a obra põe luzes sobre a história econômica, política e cultural do estado e deixa às claras a não existência de respaldo documental que justifique a tese de que “a história de Alagoas é a história do açúcar”.

O livro registra, analisa e reflete sobre aspectos relacionados à forte expressividade do algodão na economia do estado. Mostra as diversas fases do produto, em Alagoas, desde o início do século XIX ao século XX - quando, nas primeiras décadas, viveu seu período áureo, chegando a ter, entre os anos de 1930 e 1960, importância maior que a indústria açucareira, em termos de capital investido, valor produzido e número de operários - até sua agonia e morte na segunda metade do século.

O tema do livro é um só e os objetivos são comuns aos dois autores, porém, não só o estilo, mas a percepção de cada um é que deu o tom de uma e de outra abordagem. Mais alinhado com os conceitos de civilização, Douglas Apratto guia o olhar do leitor para o progresso e seu significado social; Golbery Lessa, de visão mais marxista, empenha-se em mais considerações sobre o operariado. A obra cumpre o propósito de preencher uma lacuna bibliográfica sobre o assunto e de dar visibilidade a esse significativo período da história alagoana.

A memória positiva daqueles tempos expressa nos depoimentos dos remanescentes das vilas operárias dão conta da importância do passado, da memória e da história para a possibilidade de criação do novo. A palavra saudade não sai das entrelinhas e, por vezes, os textos fazem vibrar antigas e amorosas recordações.

Mesmo em decadência, as vilas operárias são lembradas e vistas como um valioso patrimônio a ser resgatado em nome da memória de um tempo e da preservação da história, mas os autores são impecáveis: em nenhum momento deslizam na facilidade de pôr o mérito da questão neste ou naquele patrão.

 “Não se trata de realçar ‘humanitárias organizações sociais’ que os patrões filantropos ofereciam generosamente aos seus trabalhadores, nem de exaltar a figura do proprietário das fábricas ‘bondoso empresário’, conciliador das relações trabalho/capital”, escreveu Douglas Apratto.

“Os operários têxteis alagoanos deixaram um legado decisivo para as novas gerações, em termos de ideias, práticas políticas e compromisso com uma modernidade coerente com suas próprias promessas, ou seja, comprometida menos com o mercado e mais com os valores democráticos, as instituições republicanas, a justiça social e, no limite com o socialismo”, anotou Golbery Lessa na conclusão de seu texto.

“O Ciclo do Algodão e as Vilas Operárias” enriquece o imaginário coletivo, ativa a consciência de quem é quem no mundo do trabalho e sinaliza para a resposta à indagação: “Por quais caminhos chegamos ao labirinto do presente?”, de autoria de Tavares Bastos e destacada por Golbery Lessa no frontispício de seu texto.

Que muitos possam provar. Tal leitura é uma vigorosa dose de autoestima para os alagoanos, em especial, os trabalhadores.

 

Assessoria de Comunicação da Adufal

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Fonte: Ascom da Adufal

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