27/09/2013
Atualizada: 27/09/2013 00:00:00
Cerca de 5 mil estudantes, professores e funcionários da EACH-USP estão em greve desde o dia 11 de setembro, contra os riscos ambientais devido a contaminação do campus da USP Leste

Estudantes, funcionários e docentes da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH-USP) compareceram em grande número à audiência pública sobre a crise ambiental e institucional dessa unidade realizada nesta quarta-feira (25), pela Comissão de Educação e Cultura da Assembleia Legislativa (Alesp). Porém, as autoridades convidadas não se apresentaram.
O presidente da Cetesb, Otavio Okano, comprometeu-se a comparecer, mas não o fez. O vice-diretor e diretor interino da EACH, Edson Leite, havia confirmado presença, mas depois telefonou dizendo que “não poderia participar”, relatou o deputado João Paulo Rillo (PT), presidente da Comissão.
Seis deputados declararam apoio à greve e às reivindicações do movimento. Carlos Neder (PT) disse ter ficado “muito mal impressionado” após ler os inquéritos do Ministério Público Estadual (MPE) e se deparar com tergiversações da USP. “Há algo muito estranho acontecendo ali. Fala-se inclusive no pagamento de propinas”, declarou o deputado.
Adriano Diogo (PT) opinou que a USP Leste é uma conquista do movimento social e por isso foi alvo, desde o início, de uma tentativa de “desmoralização”. Carlos Gianazzi (PSOL), na mesma linha, afirmou que “a Reitoria despreza” a EACH, que “nunca foi bem vista” pela conservadora estrutura de poder da USP.
Lecy Brandão (PCdoB) destacou a força do movimento. “É uma plateia da diversidade, formada por professores, estudantes e funcionários”, afirmou. Ela foi muito aplaudida ao citar a aprovação unânime, pela comissão, de requerimento de convocação do reitor J. G. Rodas, acusado de improbidade pelo MPE.
E.
Soluções urgentes
“Somos 5 mil pessoas em greve. Queremos um lugar seguro e sadio de trabalho e queremos que os responsáveis por grave crime ambiental cometido na nossa escola sejam identificados e responsabilizados pelos ilícitos cometidos, para servir de exemplo para a sociedade. Nossa escola está instalada numa área de proteção ambiental do Parque Ecológico do Tietê”. O discurso contundente da professora Adriana Tufaile deu o tom da audiência.
Muito aplaudida, destacou que, enquanto “o governador e as autoridades do alto escalão da Cetesb e da USP declaram publicamente que não há riscos à saúde” na EACH, os documentos técnicos nos processos dizem o contrário. O auto de infração emitido pela Cetesb “pode levar à interdição da escola no próximo mês de outubro”. A professora, que é diretora da Adusp, pediu o imediato afastamento do diretor e vice-diretor da EACH “para apurar suas responsabilidades, pois administram juntos nossa escola”.
O professor Francisco Miraglia, diretor da Adusp Seção Sindical, vinculou os problemas ambientais da EACH ao autoritarismo da estrutura de poder da USP, lembrando que a direção da unidade instaurou “o maior número de sindicâncias per capita da USP”, com a finalidade de intimidar os que lhe eram críticos. Ele convidou todos a participarem do ato público de 1º de outubro por eleições democráticas na USP. “Muito do que aconteceu na EACH tem a ver com a falta de democracia também”, afirmou Miraglia.
A professora Bete Franco pediu soluções imediatas. “Estamos exigindo da USP, Cetesb, Sema, deputados, nosso direito a uma vida com saúde e dignidade”, arrematou, sob aplausos. Júlia Mafra, representante dos alunos, reiterou o repúdio da comunidade ao diretor interino. “Não vamos aceitar uma direção corrupta, que não respeita o meio-ambiente, que persegue os funcionários”, completou a estudante. Também se pronunciaram, entre outros, o vereador Nabil Bonduki, Lighia Matsushigue, diretora do ANDES-SN, e um diretor do DCE-Livre.
Audiência conjunta
Antes da audiência, a Comissão de Educação e Cultura aprovou a realização de nova audiência pública sobre a EACH, em conjunto com a Comissão do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Alesp, com a participação de representantes da Cetesb, Reitoria, MPE e Secretaria do Meio Ambiente (Sema).
Ao final da audiência pública desta quarta, foram aprovados os seguintes encaminhamentos: os deputados que apoiam a greve trabalharão, na Alesp, a constituição de uma frente parlamentar, ou de uma comissão permanente de estudos sobre a USP Leste, para dar visibilidade e aprofundar o debate das questões pertinentes; o Ministério Público do Trabalho será convidado a participar da próxima audiência pública.
*Fotos Daniel Garcia
* Com edição do Andes-SN