26/10/2013
Atualizada: 26/10/2013 00:00:00


Nesta quinta-feira (24), a comunidade educativa do Estado Espanhol saiu às ruas mais uma vez para impedir a aprovação da reforma educativa “A Lei Wert”, apresentada pelo ministro da educação, José Ignacio Wert, ao parlamento. A reforma tem como um dos seus pilares o apoio aos chamados Institutos concertados – escolas de ensino médio que funcionam como parcerias público-privadas recebendo dinheiro público. Além disso, institui o ensino religioso como obrigatório e necessário para poder ingressar nas universidades, e estabelece que o espanhol seja a língua prioritária nas comunidades autÿnomas (equivalente aos estados brasileiros) que têm outras línguas cooficiais como Catalunha, País Vasco e Galícia.
A greve teve adesão, segundo a maioria dos sindicatos, de mais de 50% das escolas públicas e privadas. Em Barcelona, foram mais de 100 mil pessoas, segundo os Mossos d’Esquadra (Polícia regional catalã). Sindicatos educativos, associação de pais e mestres, além de inúmeras coordenadoras estudantis convocaram a greve e participaram da manifestação que percorreu e parou o trânsito de Barcelona. Uma grande vitória, mesmo com a pouca participação dos dois grandes sindicatos espanhóis, CCOO (Comisiones Obreras) e UGT (Unión General de Trabajadores).
Estas lutas refletem também o processo de reorganização político-sindical em curso atualmente. A greve foi organizada pelos próprios professores, estudantes e pessoal administrativo em cada centro educativo, praticamente sem centralização e organização em nível estatal. Também foi uma mostra do que pode ser o início da retomada do ascenso que vêm sacudindo a Espanha nos últimos anos, produto da profunda crise econÿmica que vive o país.
A Lei Werté uma das mais impopulares da história recente da Espanha e tem recebido o rechaço da grande maioria da sociedade. O ministro Wert tem sido vaiado na maioria dos eventos dos quais participa. Para a maioria dos analistas, sindicalistas e especialistas no tema, a reforma educacional representará um retrocesso de pelo menos 30 anos no ensino médio deste país. A religião e a obrigatoriedade da língua espanhola são símbolos que remetem diretamente à ditadura franquista, regime político aplicado na Espanha entre 1939 e 1976, durante a ditadura do general Francisco Franco.
Por Gabriel Huland
* Com edição do Andes-SN