07/03/2014
Atualizada: 07/03/2014 00:00:00

Desde segunda-feira (3), a Companhia Municipal de Limpeza Urbana do Rio de Janeiro (Conlurb) anunciava a demissão por justa causa de mais de 300 garis que aderiram à greve dos trabalhadores, iniciada em 1º de março, sábado. Os garis conquistaram o apoio dos demais trabalhadores e da população, mesmo com a forte repressão da Polícia Militar do governador Sérgio Cabral e da guarda pretoriana do prefeito Eduardo Paes.
Apesar de todas as ameaças, do assédio moral, do clima de terror criado pelos grandes meios de comunicação e das traições da maioria da direção do sindicato, na quarta-feira de cinzas (5) a greve colocou a direção da Conlurb e a Prefeitura do Rio de joelhos. Não só o governo, a mídia e a empresa tiveram que reconhecer a força da greve, mas também anunciaram a revogação da decisão de demissões.
A categoria pede reajuste salarial de R$ 803 para R$ 1.200, aumento no valor do tíquete alimentação diário de R$ 12 para R$ 20 e o pagamento de horas-extras para quem trabalhar nos domingos e feriados, como previsto em lei. A prefeitura propõe R$ 877, segundo o gari Fábio Coutinho, que também faz parte da liderança do movimento grevista. Além disso, os trabalhadores pedem o retorno do pagamento do triênio, do quinquênio e melhoria das condições de trabalho.
Repressão segue desafiando a greve
Ainda no final da tarde desta quarta-feira (5), a polícia deteve três garis que conversavam com outros colegas, em Copacabana. Os trabalhadores foram levados à 12ª DP e indiciados por impedir a liberdade de trabalho. Também o desembargador José da Fonseca Martins Júnior, do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região, dobrou a multa diária ao Sindicato. Agora, o valor sobe de R$ 25 mil para R$ 50 mil. O desembargador ainda ameaçou com demissão os dirigentes da greve. Porém, quem impediu a liberdade de trabalho dos garis neste carnaval foi o Prefeito e a Conlurb.
Desde o início de sua gestão, Eduardo Paes fez questão de cooptar a maioria da direção do Sindicato de Empregados de Empresas de Asseio e Conservação do Município do Rio de Janeiro, com o único objetivo de aprofundar o arrocho salarial e a precarização das condições de trabalho. Esta burocracia cooptada perdeu seu vínculo com os trabalhadores de sua base e, consequentemente, sua representatividade. Por isso, coerentemente, os trabalhadores se organizaram para realizar sua maior manifestação no carnaval de 2014.
Solidariedade aos lutadores
Desde o primeiro momento da luta, a CSP-Conlutas apoiou incondicionalmente a greve dos trabalhadores da Conlurb. “Exigimos que o Tribunal do Trabalho encerre o dissídio do Acordo Coletivo determinando o imediato atendimento de todas as justas reivindicações do conjunto da categoria. Exigimos do prefeito de Eduardo Paes não só o atendimento de todas as reivindicações, mas também o abono dos dias da paralisação e que não ocorra nenhuma retaliação aos grevistas. Exigimos do governador Sérgio Cabral o fim de toda a hostilidade da Polícia Militar e seu Batalhão de Choque contra esta e todas as manifestações dos trabalhadores mobilizados e em luta. Exigimos o imediato fim da militarização das polícias e o fim da polícia militar”, afirma a Central, que acrescenta: “conclamamos a todas as entidades e movimentos a cercarem a luta dos garis de solidariedade. Convocamos que as entidades e movimentos enviem moções de apoio à greve dos garis que devem ser enviadas ao prefeito Eduardo Paes, ao presidente da Conlurb e ao Tribunal Regional do Trabalho. Enviar uma cópia destas moções à CSP-Conlutas para serem encaminhadas aos trabalhadores em luta”.
* Com edição do Andes-SN