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08/06/2015
Atualizada: 08/06/2015 00:00:00




Data: 05/06/2015

 

Um painel sobre a situação e os desafios da luta no campo foi realizado na manhã desta sexta-feira (5) no 2º Congresso Nacional da CSP-Conlutas. O evento, realizado em Sumaré (SP), começou na quinta-feira (4) e vai até domingo (7).

Compuseram a mesa de debates Rubens Germano, da Federação dos Empregados Rurais Assalariados do Estado de São Paulo (Feraesp), Paulo Gico, da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Dercy Cunha, do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri, no Acre, e Venâncio Guerrero, do Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL).

Rubens afirmou que a agricultura familiar é responsável pela produção de 70% dos alimentos consumidos pelas famílias brasileiras, mas, mesmo assim, o governo federal só tem privilegiado o agronegócio - que, segundo ele, quase não gera empregos, não respeita o meio-ambiente e só produz para exportação. O representante da Feraesp também criticou o processo de requalificação profissional dos assalariados rurais que, para ele, foi uma grande mentira. Por fim, ressaltou que a terceirização tem afetado muito os trabalhadores rurais, já que os empresários rurais querem se eximir de responsabilidades trabalhistas.

Em seguida falou Paulo Gico. Ele exaltou a construção por parte CSP-Conlutas da luta no campo, destacando que a central tem cumprido papel fundamental na conscientização dos trabalhadores rurais contra a opressão de gênero e de orientação sexual. Citou exemplos de trabalhadores que aprenderam, com o Movimento Mulheres em Luta (MML), que não devem agredir suas esposas. Gico ainda criticou o governo federal que, de acordo com ele, trata os agricultores familiares “a pão e água”, retirando benefícios como o baixo custo da energia elétrica, o Programa de Habitação Familiar No Campo e o financiamento (Pronaf).

Já Dercy Cunha iniciou sua intervenção contextualizando a história da luta rural no Acre. Ela disse que o seu sindicato foi criado inicialmente para lutar pela terra, mas que, aos poucos, os 16 anos do Partido dos Trabalhadores (PT) no governo acreano foram destruindo a construção dos trabalhadores locais. Medidas como a necessidade de criação de pequenas associações comunitárias para ter acesso a linhas de crédito foram, para ela, responsáveis pela desmobilização. Ela criticou a reforma do Código Florestal e concluiu afirmando que a luta dos trabalhadores rurais de Xapuri é muito difícil porque tem como claro inimigo o estado.

O último a falar foi Venâncio, do MTL. Ele fez uma ampla análise de como o êxodo rural contribuiu para a formação da classe trabalhadora urbana no Brasil, e de como o coronelismo se refez e se mantém no país. Para ele, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva reconstruiu o pacto estatal com os latifundiários, se valendo da parca realização de reforma agrária que, quando feita, era consumada sem confronto e encalcava nos assentados um viés que os amarrava aos empresários rurais, com a obrigação, por exemplo, de uso de determinadas sementes de multinacionais.

Terminado o painel sobre luta no campo, os delegados e observadores do 2º Congresso Nacional da CSP-Conlutas se dividiram mais uma vez em Grupos de Trabalho (GTs) para debater o tema Atividades e Plano de Ação e propor resoluções à central.

 

 

 

 
Fonte: Andes SN

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