30/05/2026
Atualizada: 30/05/2026 18:59:50
O segundo e último dia do 65º Encontro da Regional Nordeste III do ANDES-SN foi marcado por debates sobre questões organizativas e financeiras do ANDES-SN e os rumos da educação pública brasileira diante da construção do novo Plano Nacional de Educação (PNE).
O evento foi sediado pela Associação dos Docentes da Universidade Federal de Alagoas (Adufal), na sede da entidade, em Maceió, e contou com a presença de mais de 50 docentes das seções sindicais de Alagoas, Sergipe e Bahia.
A programação do segundo dia incluiu a realização de duas mesas-redondas, uma sobre questões organizativas e financeiras do ANDES-SN e outra que debateu o novo PNE.
No período da manhã, a Mesa 2: "ANDES-SN: defender sua história e imaginar o futuro (debate sobre questões organizativas e financeiras)”, foram discutidos os desafios para manutenção e fortalecimento da organização sindical docente, incluindo o financiamento das entidades, participação da base e construção de estratégias para ampliar a atuação política do Sindicato Nacional diante das transformações no mundo do trabalho e da educação superior.
Participaram da mesa a diretora de Política Sindical da Adufal, Sandra Lúcia dos Santos Lira, e o 1º tesoureiro do ANDES-SN, Sérgio Barroso. A mediação foi realizada pelo 1º tesoureiro da Regional Nordeste III, Arturo Rodolfo Samana.

Dando início aos debates da mesa, a professora Sandra Lira apresentou uma série de sugestões para as questões político-organizativas do ANDES-SN, abordando pontos como: o rateio das seções sindicais para os Conselhos do ANDES-SN (Conad); reuniões híbridas de Grupos de Trabalhos; eleições do Sindicato Nacional, entre outros.
“Nas eleições da Direção Nacional [do ANDES], nós defendemos a votação eletrônica para que todos os associados tenham acesso igualitário às urnas. Porque, por exemplo, não dá para, aqui na Adufal, nós colocarmos uma urna em cada prédio da Ufal e uma outra AD [Associação Docente] colocar apenas uma urna na sede da entidade. Tem que ser garantido o acesso igualitário à urna. A representatividade dos votantes tem caído sistematicamente, então temos que reverter isso”, afirmou a diretora da Adufal, Sandra Lira.
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Por sua vez, o professor da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), Sérgio Barroso, iniciou a fala fazendo um breve histórico sobre a criação do ANDES-SN e tratou de aspectos administrativos do Sindicato Nacional, ressaltando que o debate sobre a concepção sindical permanece atual.
“O ANDES tem uma estrutura que, conforme está no seu estatuto, tem o Congresso, tem o CONAD e tem a Diretoria. Então, essa é uma outra questão que acaba misturando o conceito de Federação com o de Sindicato”, pontuou o 1º tesoureiro do ANDES-SN, Sérgio Barroso.
Após as apresentações dos expositores, diversos participantes se inscreveram para registro de falas, garantindo uma participação ampla e democrática sobre o tema da mesa-redonda.
No período da tarde, a mesa-redonda 3 promoveu o debate "Qual o projeto de educação do Estado brasileiro? A educação pública de nível superior no novo PNE a partir dos olhares críticos das e dos lutadores sindicais e populares". O painel contou com a participação da tesoureira da Adufal, Irailde Correia, e do 3º Secretário do ANDES-SN, Francisco Jacob Paiva, sob a mediação da 2ª Tesoureira da Regional Nordeste III, Bartira Telles Pereira.

“Participar do movimento sindical requer aprofundamento e estudo específico para que a gente possa fazer frente às grandes demandas e ao combate às políticas neoliberais estabelecidas. (...) Entendemos que, para a gente fazer frente às grandes questões da educação, nós precisamos nos articular com todos os entes e setores que possam discutir e contribuir para essa educação cada vez mais inclusiva”, explicou a professora aposentada do Centro de Educação da Ufal (Cedu), Irailde Correia.
Dando seguimento ao debate, Francisco Jacob Paiva defendeu a aplicação de 10% do PIB para a educação pública e destacou que a sociedade vive uma conjuntura histórica altamente complexa.
“Os ataques da extrema direita à educação, em todos os níveis, e à universidade — que vão desde as questões orçamentárias e a questão do fundo público, às questões ideológicas e morais — exigem, de nós, mediações que temos que fazer, mas na perspectiva de reorganizar um amplo espaço da sociedade civil que possa colocar no centro do debate, de novo, a defesa da escola pública, democrática, laica”, pontuou o docente da Universidade Federal do Amazonas (UFAM).
O 65º Encontro da Regional NE III encerrou-se com a realização de uma plenária final dedicada à leitura dos principais pontos debatidos ao longo do evento, que foram registrados pela Assistente da Regional NE III, Gabriela Barchechen. A ocasião foi mediada pelo 1º Vice-presidente da Regional Nordeste III, Aroldo Félix.
Em seguida, a presidenta da Adufal, Rosangela Reis, agradeceu a presença de todos no Encontro e destacou a importância de promover debates construtivos.
“Foi um prazer enorme ter a presença de todos vocês aqui na Adufal, retomando esse movimento de aproximação da Regional junto às seções sindicais que a compõe. É importante a gente conversar, trocar ideias, mesmo que a gente não chegue sempre a um denominador comum naquele momento, mas é um diálogo que está sempre em construção e evolução. Desejo um bom retorno a todos”, finalizou Rosangela Reis.

A 2ª secretária da Regional NE III, Emanuelle Gonçalves, também compartilhou suas considerações finais e agradecimentos.
“Os encontros são espaços importantes de socialização, então acho que a gente teve um evento bem feliz de modo geral, é importante que a gente use esses espaços do movimento sindical como espaços de camaradagem, as divergências são normais e devem existir para que a gente siga construindo e avançando, mas é importante que o respeito sempre prevaleça. Então, muito obrigada pela presença de todos e todas e à Adufal pela recepção aqui na sede da entidade”, concluiu a professora da Ufal.

Adufal sedia 65º Encontro da Regional Nordeste III nos dias 29 e 30 de maio