21/03/2010
Atualizada: 21/03/2010 00:00:00
Por Valdirene Leão
Nos dias 19 e
O encontro aconteceu no auditório da entidade e além de colocar em discussão a política de cotas na universidade trouxe também ao debate a conjuntura política que o Brasil está vivendo e de que forma essa realidade está contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa, apresentando alternativas de luta.
A mesa de honra na abertura do evento foi composta pela presidenta da Adufal, professora Maria Aparecida Batista de Oliveira, pelo vice-reitor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), professor Eurico Lobo, pelo presidente do Sindicato dos Servidores da Ufal (Sintufal), Evilásio Freire, pelo representante do Conlutas Nacional e também um dos palestrantes do encontro, o sindicalista José Maria de Almeida, e pelo representante do Conlutas Sergipe-Alagoas e diretor do Sindicato dos Petroleiros Sergipe-Alagoas, Dalton Francisco dos Santos.
No primeiro dia do encontro, o sindicalista José Maria de Almeida falou do movimento docente e da reorganização da classe trabalhadora. Na sua visão, a política do governo atual não é tão pessimista mais não atende aos ideais da classe trabalhadora e não respeita o direito de cada cidadão a moradia, a educação, a saúde, a alimentação, ao emprego, entre outros.
Segundo ele, não há como lutar por esses ideais dentro de um modelo de regime capitalista. “Nós construímos um patrimônio político. Não podemos pensar numa política que atenda a todos os cidadãos de forma igualitária que não por meio da construção de uma sociedade socialista”, afirmou o sindicalista.
No sábado, a professora Cláudia Durans, do grupo Etinia, Gênero e Classe do Andes-SN, falou da política de cotas na universidade diante do questionamento de que tipo de cotas deve fazer parte da luta. Sobre as cotas para negros disse: “As cotas raciais são necessárias para que se faça uma reparação histórica”. Para ela é importante lutar não só pelas cotas raciais, mas também pelas de classe e outras que se façam necessárias. “Elevar a auto-estima e resgatar a solidariedade são coisas que temos que reforçar para levar adiante a nossa luta pela igualdade”.
Seguindo a linha de raciocínio, a presidente da Adufal, professora Maria Aparecida Batista, proferiu discurso acalorado:
- “O negro ficou pra trás em tantas questões devido à escravidão. Mas, pensando na questão do gênero, a mulher negra sofreu muito mais injustiças. Foram escravas domésticas e sexuais, amas de leite e tiveram seus filhos arrancados de seus braços para alimentar os filhos de seus donos. Eram usadas sexualmente pelos homens brancos que tinham a crença de que se tivessem relações sexuais com uma mulher negra a sífilis lhe seria curada. Quantas mulheres negras não morreram como objetos dessa crença? Por uma questão de reparação histórica, a política de cotas é necessária”.
Sobre a visão de que a política de cotas não vai concertar os problemas causados, a presidente da Adufal disse acreditar que pelo menos corrigirá a dívida que o Brasil tem com o povo negro. “Por mais polêmica que sejam as cotas, é uma política de inclusão social e é um grande avanço trazer a discussão para o campo da universidade”.