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01/03/2011
Atualizada: 01/03/2011 00:00:00


Lenilda Luna – jornalista (com informações do site do Governo Federal)

A Ufal é uma das Instituições de Ensino Superior que vão receber um Centro Regional de Referência em Crack e outras Drogas. Serão 49 em todo o país. O programa foi lançado no dia 17 de fevereiro, em Brasília, pela presidenta Dilma Rousseff, em solenidade que contou com a participação das universidades e do ministro da Educação, Fernando Haddad. A Ufal foi representada pela coordenadora de Política Estudantil da Proest, Ruth Vasconcelos.

O Centro de Referência na Ufal será coordenado pelas professoras Jorgina Salles, enfermeira, e Maria Aline Barros, farmacêutica e doutora em Ciências da Saúde. Elas já estão organizando o programa dos cursos que serão oferecidos para os profissionais que vão atuar junto aos usuários e seus familiares.

São quatro cursos: para médicos das unidades básicas de saúde, para profissionais que trabalham em hospitais ou clínicas que atendem a usuários de drogas, para agentes comunitários de saúde e profissionais que atendem as pessoas nas ruas e para os profissionais da assistência social.

A previsão é que em todo o país, em um ano, 14,7 mil profissionais sejam capacitados para lidar com esta situação considerada um problema de saúde coletiva que atinge inúmeras famílias brasileiras.  “Aqui na Ufal, vamos receber em torno de 271 mil reais para equipar o Centro e promover os cursos. Vamos envolver cerca de 300 profissionais nestes cursos”, informa Jorgina Salles.

“Pretendemos discutir a questão das drogas como um todo, mas reconhecemos que o crack e o álcool apresentam, atualmente, um poder mais ofensivo e devastador para a saúde e a para convivência social dos usuários”, ressalta Aline Barros.

Essa gravidade dos efeitos do crack em relação às outras drogas consumidas ilegalmente no país, também foi ressaltada pelo Ministro Fernando Haddad no lançamento do programa. “O crack é mais que uma droga, é quase um veneno. Começa com uma brincadeira e termina com a morte”, alertou o ministro.

Segundo as coordenadoras do programa na Ufal, mesmo comunidades mais isoladas, hoje enfrentam os efeitos do consumo de drogas. “Em áreas rurais, antes era detectado a presença do álcool, mas agora, temos também o crack chegando nessas pequenas localidades”, informou Aline Barros.

Enfrentamento coletivo

As especialistas da Esenfar que vão coordenar as ações do Centro enfatizam que o projeto local foi elaborado a partir de profissionais de vários municípios. “Buscamos a colaboração fundamental dos profissionais que já atuam junto aos usuários de drogas na capital e no interior de Alagoas, para saber como as ações do Centro podem fortalecer essa rede de atendimento”, disse Jorgina.

As coordenadoras ressaltam que as estratégias de enfrentamento à problemática das drogas só surte efeito com a participação dos mais diversos setores. “É preciso unir os esforços das famílias, dos gestores públicos, dos profissionais de saúde e de toda a sociedade, para encontrar caminhos a partir da experiência de cada um”, pondera Jorgina.

Além disso, a integração entre os municípios que vão participar do projeto será uma constante. “Vamos fazer reuniões periódicas para que os profissionais das cidades possam trocar experiências. Queremos construir um plano de intervenção para cada município, mas compartilhando as idéias e ações”, avaliou Jorgina.

Funcionamento do Centro

O Centro Regional de Referência para a formação de profissionais que atuam na rede de atenção à saúde e assistência social com usuários de crack e outras drogas e seus familiares deve começar a funcionar até o final de março, no Campus Maceió da Ufal, com apoio da estrutura de um outro programa, o Centro de Informação Toxicológica (Citox), que também está sendo implantado na Ufal, com a coordenação da professora Aline Barros.

No final dos cursos, que serão realizados durante um ano, será realizado um Seminário para divulgar o que foi elaborado pelos participantes do projeto. Este evento está previsto para fevereiro do próximo ano. “Também vamos elaborar um site para compartilhar o material debatido durante as reuniões com os representantes das cidades”, disse Jorgina.

O crack tem saída

Segundo Aline, o “Plano Integrado de enfrentamento do Crack”, lançado no governo Lula, ressaltou a problemática desta droga, que vicia rapidamente e tem efeito devastador sobre a saúde do usuário. Apesar desta gravidade, Aline faz questão de manter as esperanças de usuários e familiares. “O crack tem saída sim. Temos experiências de dependentes que conseguiram superar o vício e retomar uma vida normal”, disse Aline.

“Sabemos que não é fácil. Os efeitos fisiopatológicos do crack são potentes. Não é só uma questão de atenção profissional. É preciso um grande apoio da família, uma atenção ao dependente, que sofre um grande abalo na sua autoestima, e precisa de ajuda em todos os sentidos”, disse Aline.

As coordenadoras ponderam também que é preciso enfrentar as causas, o que leva cada vez mais pessoas a se tornarem dependentes de drogas. “Temos o crack associado à violência urbana, temos o álcool relacionado à violência doméstica e aos acidentes de trânsito. Mas a droga só potencializa atitudes que revelam problemas sociais e psicológicos que precisam ser enfrentados”, avaliam as especialistas.

A contribuição da Universidade

Durante o seminário de implantação dos Centros Regionais de Referência em Crack e Outras Drogas, em Brasília, a presidenta Dilma Rousseff enfatizou a importante contribuição das universidades para enfrentar essa problemática. “Junto com a Polícia Federal nas áreas de fronteira, com o próprio Exército, com as Forças Armadas, o saber talvez seja uma das condições privilegiadas através das quais nós podemos decifrar as drogas”, disse a presidenta no discurso de lançamento do projeto.

As coordenadoras do Centro de Referência na Ufal concordam com essa avaliação. “Esse é realmente um momento para dar um retorno à sociedade de tudo o que é investido nas universidades, não só em forma de pesquisa, mas de capacitação profissional e ações práticas de assistências aos usuários e seus familiares”, destaca Jorgina Salles.

Ainda durante a cerimônia, em Brasília, a secretária nacional de Políticas Sobre Drogas assinalou que, em março, o governo federal lançará o maior estudo do mundo sobre o crack, que envolveu 22 mil pessoas de diversos estados brasileiros. “Todos esses estudos serão utilizados como referência para o nosso trabalho”, concluiu Aline Barros.

Leia mais informações sobre a instalação dos Centros no site.

Fonte: Ufal

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