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22/11/2011
Atualizada: 22/11/2011 00:00:00


O atual estágio da pesquisa científica brasileira, o que nos levou a chegar até aqui e quais as perspectivas de construirmos, na universidade, um conhecimento verdadeiramente autônomo, foram alguns dos temas debatidos no Seminário “Ciência e Tecnologia no Século XXI”, promovido pelo Andes-SN, de 17 a 18 de novembro, na Universidade de Brasília. O evento reuniu representantes do governo federal, acadêmicos que estão nas universidades produzindo pesquisas e sindicalista, o que garantiu a pluralidade do debate.

As mesas reuniram dos ex-reitores, Antônio Ibanez (UNB) e Wrana Panizzi (UFRG), que ocuparam ou estão em cargos no atual governo; pesquisadores internacionais como Francesco Schettino (Itália) e Pablo Rieznik (Argentina), que fizeram discussões interessantes sobre patentes e a produção da ciência no contexto capitalista; acadêmicos brasileiros como Sérgio Ferreira e Maria Ciavatta, responsáveis por mostrar como o atual modelo emperra as pesquisas no Brasil; os ex-presidentes do Andes-SN Ciro Correia e Roberto Leher, que historiaram o processo de privatização da pesquisa brasileira e a professora da UFRJ Janete Leite, que mostrou o quanto o produtivismo acadêmico está prejudicando a saúde dos docentes.

“O seminário superou as nossas expectativas, tanto pela participação de um grande público, o que não é frequente em eventos dessa natureza, como pela qualidade dos debates”, avaliou o 1º vice-presidente da Regional Planalto do Andes-SN, Maurício Alves da Silva. “A participação foi muito positiva. Todo mundo se sentiu estimulado a falar”, completou o 1º vice-presidente da Regional Leste, Luís Antonio Seixa.

Já para o 1º vice-presidente da Regional Pantanal, Carlos Sanches, que também foi um dos diretores do Andes-SN responsáveis pela organização do evento, o seminário permitiu que o Sindicato acumulasse mais conhecimento sobre o tema, o que qualificará o debate sobre a produção de C&T.

Maurício Silva lembra que o seminário era uma necessidade definida pela atual diretoria do Andes-SN. “O debate sobre Ciência e Tecnologia está presente no cotidiano das instituições e a necessidade de formalizar e discutir essa temática era uma demanda nossa desde a posse”, lembrou.

“Apesar de em julho termos feito um seminário, em Maringá, sobre o produtivismo na pesquisa acadêmica, o que realizamos agora foi mais abrangente”, avaliou Seixas.

O 1º vice-presidente da Regional Leste argumenta que refletir sobre a produção do conhecimento não é fácil, pois envolve uma maturação e uma análise bastante ampla. “Geralmente, nós nos preocupamos com o nosso campo de conhecimento, com as nossas pesquisas mais específicas, daí a importância de ouvirmos pessoas que refletem sobre Ciência e Tecnologia”, avaliou. “Não dá para ficar na crítica superficial, temos de nos aprofundar nessa questão, que tanto preocupa a comunidade acadêmica”, ponderou.

Projeto de nação
No final do seminário, a ex-presidente da Andifes e vice-presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) de 2007 a 2010, Wrana Panizzi, agradeceu o Andes-SN pelo convite. “Saio rejuvenescida daqui. Fiquei três anos no CNPq e lá jamais vi uma discussão sobre um projeto de nação, com
o a que fizemos aqui. Ainda bem que esses debates não morreram”, afirmou.

Essa foi a tônica das falas dos participantes do seminário. “Foi um espaço de reflexão excelente. O produtivismo está retirando a capacidade de reflexão dos docentes, mas aqui pudemos debater questões que nos afligem”, avaliou Rosime Meguins, da Universidade Federal do Pará.


“Foi genial, tenho só elogios. É importante debatermos a carreira e as nossas condições de trabalh
o dentro de uma perspectiva mais ampla”, avaliou o professor de economia Glauco Santos, da Universidade Federal de São João Del Rey, que está há pouco mais de dois anos como professor da rede federal. “Pudemos discutir os problemas que estão nos sufocando no dia a dia e que são impostos de cima para baixo”, completou a professora Maria José de Lima, da Adunemat.

Para a direção do Andes-SN, o desafio, agora, é ampliar o debate. “A tônica é de que devemos expandir. Há necessidade que o debate continue e seja viabilizado para atingir um maior número de pessoas, o que deve ser feito por meio das Regionais, chegando a todas as seções sindicais”, afirmou Maurício Silva.

“Acreditamos que a partir desse seminário haverá uma rearticulação dos GTs de Ciência e Tecnologia, ampliando, assim, o debate sobre o tema”, aposta Seixas.
Fonte: Andes-SN

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