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11/11/2012
Atualizada: 11/11/2012 00:00:00


 Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior - ANDES-SN




 

Data: 09/11/2012


Ato pede que USP investigue crimes cometidos contra "subversivos” durante a última ditadura militar (1964-1985). Entre as denúncias a serem apuradas, está a delação de funcionários, estudantes e professores aos militares pelas Congregações das Faculdades

Estudantes, funcionários e professores da Universidade de São Paulo (USP) realizaram um ato nesta quarta-feira (7), para entregar à reitoria milhares de assinaturas que pedem a instalação de uma comissão da verdade na USP. O Fórum Aberto Pela Democratização da Universidade é quem organiza a iniciativa. O grupo pede que a USP instale uma comissão autônoma, independente e paritária para investigar os crimes cometidos contra os uspianos considerados "subversivos” pelo regime militar (1964-1984).

De acordo com investigações do Fórum, dos 475 mortos e desaparecidos reconhecidos pelo Estado brasileiro, pelo menos 47 tinham ligação com a Universidade. O Fórum conta com a participação de dezenas de centros acadêmicos, coletivos políticos e entidades de representação de classe de alunos, funcionários e docentes e exige a apuração de denúncias como a suposta delação de uspianos aos militares pelas Congregações das Faculdades.

O ato desta quarta-feira aconteceu no Auditório do Instituto de Oceanografia da USP e contou também com a participação de familiares das vítimas da ditadura. "A ideia é entregar o abaixo-assinado para que a reitoria tome providências. Enviamos um convite para ela, mas até o momento não temos um posicionamento definido da sua participação no ato”, explica a professora e 2ª vice-presidente da Adusp, Elisabetta Santoro, integrante do Fórum.

De acordo com ela, a abertura de uma comissão na USP tem o apoio da Comissão da Verdade nacional e estadual. "Queremos colaborar de forma efetiva com essas investigações e contribuir com as comissões municipal, estadual e nacional. Então, se a comissão uspiana não for feita com rapidez pode existir um descompasso”, acrescenta, lembrando que a Universidade de Brasília (UnB) já instalou sua própria comissão.

Em ato no dia 17 de outubro, a integrante da Comissão Nacional da Verdade, Rosa Cardoso, endossou o pedido da Comissão Estadual da Verdade para que a USP reveja a demissão da professora Ana Rosa Kucinski. A professora foi demitida em outubro 1975 por "abandono de função”, no entanto estava desaparecida desde 1974 após ser presa por militares.

Reitoria
Indagada sobre o interesse da reitoria em promover esse debate na Universidade, a professora Elisabetta Santoro se mostra cética. "Se nós acreditássemos que o reitor poderia fazer isso de sua iniciativa, não teríamos feito uma campanha tão forte. Esperamos que todo o esforço desses últimos meses seja suficiente para pressionar a instituição a passar o passado a limpo”, explica.

O atual reitor da USP, João Grandino Rodas, quando era integrante da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) da ditadura militar, votou contra a culpabilidade do Estado em dez casos, incluindo o da estilista Zuzu Angel e do secundarista Edson Luís de Lima Souto. Por diversas vezes, teve voto igual ao do general do exército Oswaldo Pereira Gomes.

No ano passado, Rodas firmou um convênio que permitiu o livre acesso da Polícia Militar ao campus e processou 51 uspianos, entre estudantes e funcionários, em razão da ocupação da reitoria de novembro de 2011. Os processos são baseados no regime disciplinar da USP criado em 1972, durante a ditadura, que proíbe manifestações políticas dentro do campus, entre outras coisas.

Participação de religiosos
Já a Comissão Nacional da Verdade deve instalar um grupo de trabalho para investigar a atuação de religiosos que combateram ou se aliaram à última ditadura militar (1964-1985). A equipe deve ser coordenada por Paulo Sérgio Pinheiro e terá a participação de pesquisadores autônomos e teólogos.

Um dos primeiros depoentes deve ser Anivaldo Padilha, pai do ministro da Saúde Alexandre Padilha. Anivaldo teve que se exilar em 1971, depois de ter sido preso e torturado em razão da delação de pastores da igreja que freqüentava.

*Com edição do ANDES-SN


Fonte: Brasil de Fato

Fonte: Brasil de Fato

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