27/11/2012
Atualizada: 27/11/2012 00:00:00
Os docentes da Escola de Serviço Social da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) decidiram, na última semana, suspender as atividades do curso por falta de condições acadêmicas. A decisão foi tomada após a reitoria anunciar que irá cancelar o contrato dos professores temporários da instituição em fevereiro de 2013, sem garantir vagas para contratação de professores na carreira. Ou seja, na metade do segundo semestre de 2012, que teve início no último dia 21.
Segundo o professor Rodrigo Castelo, do Conselho de Representantes da Adunirio – Seção Sindical, no caso da Escola de Serviço Social, a medida da reitoria atinge mais da metade dos docentes. “Temos um calendário acadêmico que precisa ser cumprido. Em respeito à lógica pedagógica resolvemos suspender as atividades. Não temos professores para dar aula, ou seja, não temos a condição mínima necessária para o funcionamento do curso”, ressalta.
De acordo com Castelo, mesmo com abertura imediata de edital para concurso público, por conta dos trâmites burocráticos do processo de seleção, os aprovados só teriam condições de assumir após em agosto do próximo ano, ou seja, no meio do primeiro semestre de 2013.
"Caso iniciássemos o semestre, na metade dele os alunos ficariam sem professores. Precisamos da garantia que aqueles que estão trabalhando hoje no curso, permaneçam até a efetiva contratação dos concursados”, diz Castelo, apontando um dos sete pontos da pauta de reivindicações dos docentes.
Outra cobrança dos professores de Serviço Social da Unirio é a contratação imediata da professora Paula Bonfim, aprovada em primeiro lugar no concurso realizado em 2011. De acordo com Bacelar, a professora move um processo contra a Unirio questionando a convocação e também estaria sendo retaliada pela ativa participação no movimento grevista desse ano.
“O reitor chegou a falar em reunião que se ela retirasse o processo seria chamada. O que não faz sentido, uma vez que outros dois professores que moveram processo contra a universidade, através do mesmo advogado de Paula já foram convocados”, conta.
No sábado (24), uma comissão de docentes da Escola de Serviço Social da Unirio abordou Amaro Lins, secretário de Ensino Superior do Ministério da Educação em um evento no Rio de Janeiro. Segundo Rodrigo Castelo, Lins informou aos professores que desde 2011 o Ministério do Planejamento baixou uma portaria orientando o término dos contratos temporários.
“Isso caracteriza que a postura adotada na Unirio faz parte de uma política de governo, que está sendo posta em prática, no entanto sem a contrapartida de contratação de professores efetivos. O que eles não levaram em conta é que a situação inviabiliza o funcionamento acadêmico do curso, que já se dá em péssimas condições”, critica. De acordo com Castelo, os cursos de Ciências Políticas, Administração Pública e Engenharia de Produção, todos cursos da expansão via reuni, também apresentam problemas semelhantes aos da Escola de Ciências Sociais.
Confira aqui a carta dos docentes da Unirio com as reivindições do movimento.