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27/12/2012
Atualizada: 27/12/2012 00:00:00



 
23/12/2012 16h25 Entidades classificam como ‘golpe’ ação de reitor Eurico LôboAdesão de empresa para administrar Hospital Universitário gera conflitos na Ufal
Wanessa Oliveira
Estão longe de chegar ao fim os conflitos em torno da adesão da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) a uma empresa pública para administrar o Hospital Universitário. Professores, servidores e estudantes da Universidade classificam como ‘golpe’ a ação do reitor Eurico Lôbo, que interrompeu a votação, na última quinta-feira, 20, isolou um grupo de conselheiros e decidiu, monocraticamente, pela contratação da terceirizada. 

A nota divulgada pela assessoria da Universidade relata que um ‘grupo’ teria invadido a reunião do Conselho Universitário, inviabilizando a votação e levando o gestor à decisão discricionária de contratar a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). A nota ainda expõe uma moção de apoio ao reitor, apresentada por membros do Consuni, onde criticam a ação do movimento: “[A invasão] atenta contra a democracia, desrespeita o Consuni e ultrapassa os limites da convivência plural de ideias”

Entretanto, para o ‘grupo’ em questão - composto por entidades como o Sindicato de Técnicos da Ufal (Sintufal), a Associação dos Docentes da Ufal (Adufal) e estudantes-, a ação antidemocrática partiu exatamente da reitoria da Universidade. O movimento, já denominado Frente Nacional Contra a Privatização da Saúde, vê na adesão à Ebserh uma série de prejuízos à comunidade acadêmica e ao Estado, e rebate que a deliberação não levou em conta os votos do Conselho Patrimonial, por exemplo. 

Ainda rebatendo às afirmações da direção da Ufal, o presidente da Adufal, Antonio Passos, narrou outra versão da suposta invasão. “Essa adesão do Hospital Universitário a uma empresa pública é um assunto de grande relevância para todos que integram a Ufal. Nós avisamos para a reitoria que realizasse a votação em um espaço mais aberto, como o auditório da reitoria, porque a comunidade universitária iria querer acompanhar”, relata. 

No entanto, segundo o presidente da Associação, a administração da UFAL não levou em conta a solicitação e decidiu que o encontro aconteceria na sala dos conselhos. “É um espaço muito pequeno para a quantidade de pessoas que queriam participar. Por isso, de modo algum eles podem tratar isso como uma ‘invasão’ e punir as pessoas. A ação que o reitor tomou, ao suspender a votação, e chamar para um lugar isolado seus apoiadores, tomandouma decisão autocrática, foi um golpe antidemocrático a toda a comunidade universitária”, acrescentou. 

Ainda segundo o professor, apesar do reitor já ter enviado a decisão para a Secretaria dos Conselhos Superiores, a situação ainda pode ser revertida. “Só porque ele tomou essa decisão,não significa que a Ebserh será implantada. Estamos nos mobilizando contra essa privatização do Hospital Universitário”, garantiu. 

Segundo Antonio Passos, além de encaminhar várias notas e cartas de repúdio à contração da empresa pública, o movimento também aguarda a decisão do Supremo Tribunal Federal no que diz respeito a uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) contra a lei federal que estabeleceu a criação da Empresa. A reportagem da Gazetaweb tentou entrar em contato com o reitor Eurico Lôbo, por meio do celular mas não obteve êxito. O espaço, entretanto, permanece aberto para possíveis contestações.


Sobre a Esberh

Além dos atos realizados atualmente, ao longo do ano, a Frente realizou vários protestos contra a privatização do HU. À época, a coordenadora do movimento em Alagoas, a docente Valéria Corrêia, citou os prejuizos que podem ser causados caso a contratação seja efetivada. “O motivo principal de sermos contra essa terceirização é porque, com ela, irão mercantilizar dois deveres fundamentais do Estado, que é a Saúde e a Educação”, opinou. 

No setor da saúde, o receio maior é o de que os serviços sejam ‘vendidos‘. “Um exemplo é o Hospital das Clínicas de Porto Alegre, onde foi feito um serviço semelhante e, hoje, 30% das atividades são comercializadas junto aos planos de saúde particulares”, comparou o professora.

Ainda segundo a pesquisadora, a atuação e promoção do serviço público também ficam comprometidas. “A tendência é a de se acabar com o concurso público, criando-se regimes via CLT, com contrato temporário de dois anos, prorrogáveis por mais dois. Institui-se totalmente a lógica de um setor privado, que é a ausência de vínculo com o usuário, a instabilidade no trabalho e um prejuízo enorme à Saúde”, acrescentou.

“Como esses profissionais temporários terão compromisso com o ensino? Esta empresa vai fazer gestão por metas. A qualidade do ensino, que demanda tempo, será descartada, já que a meta de produtividade vai ser prioridade”, complementou a professora, reforçando que ‘até mesmo a pesquisa, que compõe o tripé das atividades da Instituição de Ensino Superior, será prejudicada‘.

“Quem vai definir o foco das pesquisas é a empresa e não a universidade. A universidade, por sua vez, termina por perder a autonomia, já que, na prática, a empresa cuidará da admissão e demissão de pessoal. Além disso, os concursados, que serão cedidos à empresa, podem ficar indisponibilizados. Ao nosso ver, isso é um passo para a demissão”.
 
Fonte: gazetaweb.globo.com

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