A duas semanas do início do período de matrículas, pais e alunos enfrentam sol e chuva, desde essa segunda-feira (07), em uma fila que se estende diante da Escola Municipal Antídio Vieira, localizado no bairro do Trapiche da Barra, em Maceió. Como o sistema da rede municipal de ensino ainda não é informatizado, os cidadãos são obrigados a se submeterem a esperas de semanas em busca do ingresso na instituição pública.
O diretor da escola, professor Edimar Rodrigues de Oliveira, explica que todo ano a situação se repete porque a instituição não tem condições de abrigar toda a demanda da região. “Nós recebemos crianças da Escola Claudinete Batista, que fica aqui no Trapiche, além de estudantes dos colégios Almeida Leite e Nossa Senhora Aparecida, na Ponta Grossa”, disse o diretor. “Isso sem contar as pessoas que nunca estudaram em escola pública ou que se mudaram para a região”.
Para o ano letivo de 2013, o diretor disse que a Escola Antídio Vieira dispõe de 9 vagas para o 5° ano, 125 vagas para o 6° ano e 10 vagas para o 8° ano. Já para o 7° ano, não há vagas disponíveis. “Fui informado que só da Escola Claudinete Batista temos uma demanda de 150 crianças que tentarão se matricular no 6° ano aqui na escola”, disse o professor.
Já com relação a longa fila que se estende na frente da escola, Edimar de Oliveira disse que não pode fazer nada. “Já perguntei a Semed [Secretaria Municipal de Educação] qual será o critério adotado para a ordem dos atendimentos e aguardo resposta. Acho justo obedecermos a ordem de chegada, mas também entendo que tem pessoas que não pode vir para a fila”, afirmou.
Pais deixam de trabalhar para ficar na filaA costureira Zenaide de Oliveira está na fila desde essa terça-feira (08) para conseguir vagas para a filha de 10 anos. Ela foi à escola para saber quais são os documentos necessários para a realização da matrícula e, ao perceber a movimentação na porta da escola, decidiu ficar na fila, a fim de garantir a vaga da filha, que em 2012 concluiu o 5° ano na Escola Claudinete Batista.
Revoltada, ela reclamou da situação. “Sou costureira e não tenho como pagar uma escola particular para minha filha, então tenho que me submeter a isso aqui”, disse Zenaide.
Já Clarissa Roberta dos Santos tem 12 anos e, como seus pais trabalham o dia todo, ela mesma está na fila em busca de uma vaga no 6° ano. Clarissa também concluiu o 5° ano na Escola Claudinete Batista. “É um absurdo o aluno deixar de aproveitar o pouco tempo de férias que temos para ficar debaixo de sol quente na aqui fila”, reclamou a estudante, que definiu a situação como “humilhante”.