14/01/2013
Atualizada: 14/01/2013 00:00:00
A desocupação do prédio do antigo Museu do Índio, no Maracanã, zona norte da capital carioca, deve acontecer ainda no início desta semana. O governo do estado do Rio de Janeiro aguarda um mandado judicial de imissão de posse da área, onde desde 2006 vive um grupo de indígenas.
Mesmo sem a autorização judicial para a desocupação do espaço, durante todo o sábado (12) o Batalhão de Choque da Polícia Militar cercou o prédio gerando clima de tensão. Os indígenas ganharam apoio da população, que se mobilizou e foi ao local para resistir à desocupação.
Segundo informação da Agência Brasil, em nota divulgada na noite do sábado, o governo do estado reafirmou que a demolição do prédio integra o projeto de modernização do Complexo do Maracanã, “sendo parte importante na questão da mobilidade”. A previsão é de construção de uma área de estacionamento no local.
Representantes de dois órgãos do governo - Secretaria Estadual de Assistência Social e Empresa de Obras Públicas (Emop) - estiveram no sábado no local para, segundo a nota, “atualizar os contatos com as pessoas que estão no prédio, de forma que, durante a semana, seja finalizado o cadastro social e haja remoção das pessoas, e logo que possível, a demolição do prédio”.
Ainda de acordo com a Agência Brasil, a saída dos policiais na noite do sábado foi comemorada pelos índios e ativistas que acompanhavam desde cedo a movimentação no local. Segundo um dos líderes do grupo indígena, Afonso Apurinã, os ocupantes do antigo museu estão cientes de que a remoção ocorrerá com a chegada da ordem judicial. “Mas estamos dispostos a resistir até o último momento. Queremos defender a nossa cultura”, disse.
Perseguição
Dois operários da empresa Concrejato, que participa da reforma do Estádio do Maracanã, foram demitidos nesta segunda-feira (14) por terem apoiado, no sábado, a manifestação em favor da permanência da Aldeia Maracanã no prédio do antigo Museu do Índio. A informação foi divulgada no site do Jornal do Brasil.
Os carpinteiros José Antonio dos Santos, 47, e Francisco de Souza Batista, 33, foram à aldeia, durante o horário de almoço no sábado. Ao retornarem ao trabalho, tiveram seus crachás apreendidos. Na manhã desta segunda, foram dispensados das obras após receberem três papéis: uma advertência, uma demissão por justa causa e uma carta com a possibilidade de serem transferidos de canteiro de obra. Os dois não aceitaram assinar nenhum dos documentos.
Sobre a Aldeia Maracanã
Em 1953, foi instalado no local, pelo antropólogo brasileiro Darcy Ribeiro, o primeiro Museu do Índio da América Latina. Objetivo: divulgar uma imagem correta, atualizada e viva, desprovida de preconceitos pela sociedade, despertando, deste modo, o interesse pela Cultura e pela Tradição Indígenas.
Desde a transferência do Museu do Índio para o bairro de Botafogo, a área e o prédio histórico ficaram abandonados pelas autoridades por cerca de três décadas. Em 2006, o espaço foi retomado por um grupo formado por doze etnias indígenas de todo o território nacional, com o objetivo de preservá-lo e revitalizá-lo.
Surge então o grupo chamado Aldeia Maracanã, que passa a receber escolas, universidades, pesquisadores e simpatizantes e a desenvolver atividades culturais, educacionais e de línguas das diversas etnias originárias de todo o Brasil. Na época, foi reivindicado o imediato tombamento do imóvel pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
*Com informações da Agência Brasil, Jornal do Brasil e Defensoria Pública da União/RJ