18/03/2013
Atualizada: 18/03/2013 00:00:00
Mensagem encaminhada por Pablo Almeida de Barros Pereira à professora Cilene Bandeira, viúva do professor Paulo Bandeira assassinado em junho de 2003. Os acusados desse crime bárbaro que horrorizou Alagoas e teve repercussão nacional, estão sendo julgados na tarde desta segunda-feira (18), no Fórum do Barros Duro, em Maceió.
Pablo é ex-aluno dos dois professores. Cilene Bandeira é professora aposentada do Centro de Educação (Cedu) da Ufal e associada da Adufal - Associação dos Docentes da Universidade Federal de Alagoas.
Curitiba, PR. 16 de março de 2013
Professora Cilene,
Nada se conquista sozinho. Todo o conhecimento que conquistei hoje é devido a um conjunto de esforços de muitas pessoas queridas. Mas a educação montessoriana que recebi na Escola Semente por você orquestrada forneceu as bases humanísticas que me motivaram em uma constante disciplina de estudos. Algumas vezes interrompida, sempre retomada, essa sólida formação de filiação à liberdade e ao saber me proporcionaram condições de competir, em debates e discussões - acadêmicas ou políticas - de igual para igual com gente do mundo inteiro. Quando olho para os amigos de infância forjados na educação montessoriana - por você viabilizada -, vejo advogados, jornalistas, médicos, engenheiros, policiais; gente de bem, que ama a Liberdade e a Justiça.
Foi com muito pesar que recebi a notícia desse covarde assassinato que não significa apenas o ataque a mais uma família alagoana, mas um ataque à própria República.
Pra mim, como pra uns poucos outros, restou o exemplo do professor Paulo Bandeira - outrora meu professor no Ensino Médio - de heroísmo e de proatividade contra esses indivíduos sujos, desonestos e desvalidos que usam o dinheiro público para se envaidecer, que humilham e desgraçam a República Democrática que conseguimos a tão pesados custos. Que para cada Paulo Bandeira que tombe na luta contra a corrupção, dez mil outros se ergam e, só assim, teremos um País digno.
Sei que aplacar a sua dor é impossível, vez que eu mesmo, na condição de ex-aluno, sinto a irreparabilidade da perda, mas rogo para que continue tendo forças para manter viva a lembrança deste mártir alagoano, brasileiro, latino-americano; seu marido.
Se posso oferecer um pequeno consolo, como seu ex-aluno - como indiretamente fui, aluno submetido a sua coordenação - tenho dedicado significante tempo numa cruzada de estudos para engrossar as fileiras que o professor Paulo Bandeira integrou: as dos que não se acovardam perante esses sanguessugas, taturanas, parasitas acéfalos, destruidores da República. E tenho certeza, que muito em virtude das bases educacionais sólidas que recebi, logo estarei de volta à nossa terra para integrar a luta nessa nobre causa tão dignamente defendida por vocês.
Um forte abraço do seu ex-aluno
Pablo Almeida de Barros Pereira