"Mesmo na prisão, Adalberon me ameaçou", revela ex-vice-prefeito
O julgamento do caso Paulo Bandeira foi retomado com o depoimento de José Zezito Costa, que foi vice-prefeito e secretário de Educação na gestão de Adalberon de Moraes. Depois de lido o depoimento que deu à época do crime, José Zezito confirmou tudo o que havia dito e afirmou que se sentiu ameaçado pelo então prefeito Adalberon, então preso por irregularidades nas contas da Prefeitura de Satuba. José Zezito afirmou que, hoje, não tem medo e não mais se sente ameaçado por Adalberon.
"Ele [Adalberon] afirmou, quando preso, que ainda era o prefeito de Satuba e que seria solto em breve. E que a primeira coisa que faria quando reassumisse a prefeitura era me ‘dar uma pisa‘. Mas não tive medo de apanhar nem de morrer por conta disso", delcarou Zezito Costa.
"Gostaria de dizer que não abandonei o Adalberon. O que acontece é que ninguém se sentia à vontade com alguém querendo tirar uma culpa que recaia nas costas e colocá-la em mim", disse o depoente.
A testemunha ainda comentou que lhe entregaram um documento que deveria ser assinado por ele, dando conta de que ele seria indicado como autor intelectual da morte de Bandeira. O documento também foi entregue à diretora Nancy Pimentel, segundo Zezito, e teria sido elaborado por Maria de Lourdes Gomes Nobre, a ex-esposa de Adalberon, Fátima Pedrosa, Antônio Vieira e Maria José Batista, conhecida por Zezinha; todos ligados ao ex-prefeito.
Perguntado pelo juiz John Silas se Adalberon de Moraes havia feito qualquer comentário sobre a morte de Paulo Bandeira ou se o acusado havia lhe pedido para assumir a autoria intelectual do crime, Zezito respondeu: "Nunca comentou nada comigo a respeito do crime, nem me pediu para assumir o que não tinha feito”, explicou José Zezito, confirmando, no entanto, que se sentiu ameaçado por conta do documento que pretendia lhe incriminar.
"Ele não demonstrou qualquer reação ao ver o corpo", diz Zezito
José Zezito lembra que Adalberon de Moraes passou por sua casa e o chamou para ir a um matagal, onde sabia ter sido encontrado um corpo carbonizado. Chegando ao local onde estava o corpo de Paulo Bandeira, Adalberon se mostrou calmo e não demonstrou qualquer reação, de acordo com Zezito.
“O corpo parecia um pedaço de carvão. O que dava para ver eram apenas as correntes e o carro, que ainda conservava restos após o incêndio”, declarou José Zezito Costa.

