19/03/2013
Atualizada: 19/03/2013 00:00:00
O juiz John Silas voltou a ameaçar, nesta terça-feira (19), segundo dia do júri popular do caso Paulo Bandeira, prender uma testemunha se mentisse em depoimento. Na véspera, o magistrado havia alertado o professor Manoel Messias de que poderia sair preso do Fórum caso não dissesse a verdade em juízo. Desta vez, o magistrado afirmou à professora Maria José Bezerra de Melo, que não soube explicar por que, quando Paulo Bandeira lhe disse que havia sido chamado à Prefeitura, o aconselhou a não ir lá. Bandeira desapareceu no caminho para a prefeitura e seu corpo foi encontrado dois dias depois em uma mata de Satuba, acorrentado e carbonizado dentro de seu carro.
“Se mentir, o remédio é cadeia", avisou o juiz. "A senhora é professora e, quando for perguntada, responda com clareza. Se a senhora não disser tudo o que sabe, vou ter que mandar prendê-la porque a senhora sabe mais do que está dizendo e não admito esse tipo de procedimento no tribunal”, afirmou o magistrado.
Em seu depoimento, Maria José, que pegava carona com Paulo Bandeira todos os dias até Satuba, também afirmou que uma professora chamada Rita foi a portadora do recado que levou Paulo Bandeira para a morte. Maria José disse não ter mais visto Rita e nem sabe onde ela vive atualmente.
“A Rita passou o recado para ele e eu pedi, não sei bem por quê, para que ele não fosse à prefeitura. Acho que falei isso porque já havia certo clima, e pedi para ele não ir”, tentou explicar Maria José.
Promotoria e defesa voltam a discutir em plenário
Além da advertência do juiz John Silas, o depoimento de Maria José Bezerra de Melo provocou outra discussão entre o promotor Marcus Mousinho e o advogado Welton Roberto. Depois que notou discordância entre o que dizia naquele instante a professora e o que afirmou em depoimento à época do crime, o promotor perguntou à testemunha se ela se sentia ameaçada com a presença dos réus no plenário.
Irritado, Welton Roberto disse que o promotor estava "tentando distorcer os fatos" porque a mesma pergunta teria sido feita pelo juiz John Silas e Maria José Bezerra havia negado.
“O senhor quer um copo com água para se acalmar? Agora a defesa acha que a pergunta feita não pode ser reproduzia por qual motivo?”, indagou Marcus Mousinho.
“Tenho muito respeito pela sua inteligência e perspicácia, mas não vou admitir que o senhor promotor quer colocar na boca da testemunha o que ela não falou. Por isso protesto e peço que o senhor refaça a pergunta. Quanto à água, tenho aqui meu copo, já com açúcar. Pode ficar tranquilo”, respondeu Welton Roberto.
Pouco antes das 20 horas, o juiz deu por encerrados os trabalhos do segundo dia do julgamento, após a oitiva de todas as testemunhas arroladas.