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21/03/2013
Atualizada: 21/03/2013 00:00:00


 

23:40 - 20/03/2013Luciano Milano
 
 
Geraldo Augusto denunciou ex-superintendente da PFGeraldo Augusto denunciou ex-superintendente da PF

O julgamento dos quatro réus pelo assassinato do professor Paulo Bandeira chega ao seu quarto dia nesta quinta-feira (21) traz momento de grande expectativa, com a convocação, pelo juiz John Silas, de uma nova testemunha e a possibilidade de haver acareação. 

Depois de ter sido citado em todos os depoimentos desta quarta-feira (20) como interessado na incriminação dos policiais militares Geraldo Augusto e Ananias Lima (acusados de carbonizar Paulo Bandeira), o policial civil Eraldo Henrique dos Santos foi intimado pelo magistrado a depor como "testemunha do juízo", a partir das 8h30 desta quinta-feira. A intimação foi feita ao delegado geral da Polícia Civil, Paulo Cerqueira, superior do policial, para que sle se apresente.

“Quero que conste em ata que, por ter sido citado pelas testemunhas Geraldo Augusto e cabo Ananias Lima como interessado em incriminá-los, o juiz que preside este tribunal requer a presença do policial civil Eraldo Henrique dos Santos para ser ouvido nesta quinta-feira”, disse John Silas antes de encerrar os trabalhos.

Eraldo Henrique foi acusado pelo cabo Lima de mentir a serviço do delegado Cícero Lima, que comandou as investigações sobre a morte de Paulo Bandeira.

“O Eraldo Henrique mentiu quando disse que eu não estava no posto no dia do crime, porque eu passei a tarde toda”, afirmou o cabo.

Eraldo pode se transformar em testemunha-chave no caso. Se ele confirmar o que disse anteriormente – que Ananias e Geraldo não estavam em um posto de gasolina no dia e horário em que Paulo Bandeira desapareceu e provavelmente foi torturado e morto –, derruba os álibis dos dois acusados. Por isso é que pode haver acareação entre Eraldo, Geraldo e Ananias.

Depois do interrogatório de Eraldo Henrique – e da provável acareação – haverá o debate entre acusação e defesa, com direito a réplica e tréplica. Cada lado terá duas horas para tentar convencer os sete jurados que formam o Conselho de Sentença. Depois, os jurados irão para uma sala secreta responder aos questionários elaborados pelo juiz e, dali sairá o veredito para cada um dos réus: culpado ou inocente.

Geraldo Augusto acusa Paulo Rubim

O terceiro dia de julgamento do caso Paulo Bandeira, nesta quarta-feira (20), foi encerrado com o interrogatório do policial militar Geraldo Augusto, acusado de ser um dos matadores do professor. Como todos os outros três réus, Geraldo Augusto se disse inocente e alegou em sua defesa que recebeu uma proposta do então superintendente da Polícia Federal em Alagoas, delegado Paulo Rubim, para que incriminasse Adalberon e o cabo Ananias Lima, dizendo que eles não teriam passado em um ´posto de gasolina.

"O delegado me propôs que, se eu dissesse isso, teria casa e escola boa para meus filhos em outro estado", disse Geraldo.

Paulo Rubim, depois de ter sido superintendente da PF em Alagoas, foi secretário estadual de Defesa Social no primeiro governo de Teotonio Vilela Filho.

Promotor acusa advogado de desrespeitar tribunal

Os ânimos da defesa, promotoria e do juiz John Silas, que preside o Tribunal do Júri, se exaltaram no fim da noite, durante o interrogatório de Geraldo Augusto. Depois de demorar – na visão do magistrado – a fazer a perguntar a seu cliente, um dos advogados de defesa, Ricardo Moraes, iniciou discussão com o juiz John Silas sobre a condução do magistrado no julgamento. Irritado, o promotor Marcus Mousinho disse ao juiz John Silas que a defesa perdeu todo respeito pelo presidente do júri.

"Infelizmente, sua excelência não está agindo corretamente porque pressiona a defesa para realizar as perguntas e não tem a mesma postura com o Ministério Público, que passou mais de 20 minutos procurando nos autos o que queria perguntar", reclamou Ricardo Moraes.

O clima esquentou ainda mais depois que o advogado de defesa de Adalberon, Álvaro Costa, sentou-se na platéia e, de lá, disse: "Dessa maneira, é melhor nem perguntar".

Ouvindo o que disse Álvaro Costa, Marcus Mousinho aproximou-se de John Silas  afirmou que a defesa havia perdido o respeito pelo magistrado e pediu providências.

"A defesa desrespeita e o juiz e todo o julgamento porque o doutor Álvaro Costa não pode, da platéia, dizer que, com a condução do magistrado, é melhor não fazer perguntas. Se não tem o que perguntar, tudo bem. Mas querer desmoralizar o Tribunal do Júri eu não admito", retrucou Marcus Mousinho.

Ananias culpa delegado Cícero Lima 

Antes de Geraldo, foi interrogado o cabo Ananias Lima. Ele lançou suspeitas sobre a postura do delegado Cícero Lima, que conduziu as investigações da morte do professor Paulo Bandeira. O cabo, que era segurança de Adalberon de Moraes e um dos apontados no inquérito como autor material do crime, afirmou que foi incriminado pelo policial civil Eraldo Henrique dos Santos por "interesse do delegado Cícero Lima", a quem ele chamou de "covarde". A acusação foi para os autos do processo. A promotoria perguntou ao soldado se ele tinha consciência de que a acusação era muito grave.

“Sei o que estou dizendo e não tenho medo do que possa acontecer porque eu não matei ninguém e, se querem saber, só posso atribuir o meu envolvimento ao depoimento do Eraldo Henrique, a mando do delegado Cícero Lima. Na Justiça Militar, o delegado disse para mim, e acho que outros soldados que estavam lá ouviram, que sabia que eu não tinha matado o professor, mas que eu sabia quem havia cometido o assassinato, e eu não sei”, alegou o cabo Ananias Lima.

Nos depoimentos colhidos á época, o cabo Ananias Lima afirmou que esteve durante toda a tarde do dia 2 de junho, data do crime, em um posto de gasolina, das 14h às 17h. Nas mesmas investigações, o policial civil disse, também em depoimento, que o cabo Lima não apareceu no posto no dia do assassinato. Essa tese colocaria o cabo como um dos que teriam sequestrado e carbonizado Paulo Bandeira, junto com Geraldo Augusto, outro policial militar acusado no crime.

“Sou réu porque o Eraldo Henrique, policial civil, mentiu no processo. Geraldo Augusto, estranhamente, insistiu para eu ficar no posto. Volto a dizer que o delegado Cícero Lima foi quem me incriminou. E, excelência, se eu fosse juiz como o senhor, o delegado Cícero Lima estaria preso”, afirmou o militar, que passou 7 anos e 8 meses preso.

Ainda quando foi inquirido pelo juiz John Silas, o cabo Lima afirmou que sempre quis fazer uma acareação com Eraldo Henrique e que, se o atual magistrado do processo, tivesse lido todo o processo  – passaram oito outros juízes pelo caso – veria que não há culpa dos arrolados.

Marcelo diz por que informou horários da vítima

O ex-assessor de Aldaberon de Moraes, Marcelo José dos Santos, o segundo a depor nesta quarta-feira (20), negou que tenha ido saber na escola Maria Josefa da Costa o horário do professor Paulo Bandeira, dias antes de a vítima ser encontrada carbonizada dentro de seu carro, em um matagal de Satuba.

Marcelo foi pronunciado como réu justamente porque, segundo os autos do processo, informou o horário de trabalho de Bandeira para o ex-prefeito, como parte da trama que culminou com a morte do professor, em junho de 2003.

No interrogatório, Marcelo alegou que informou o horário porque quando foi à escola Maria José da Costa, a diretora Nancy Pimentel Lopes mandou para o gabinete do prefeito os horários em que Paulo Bandeira entrava e saia da escola.

“Se o prefeito tivesse me mandado buscar o horário do professor eu iria à porta do gabinete do prefeito. Eu disse o que era e ele me mandou deixar o papel em cima da mesa dele. Foi somente isso que aconteceu”, declarou Marcelo José dos Santos.

Fotos
Fonte: Tudo na Hora

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