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25/03/2013
Atualizada: 25/03/2013 00:00:00



Entidade que organiza familiares e sobreviventes da tragédia esteve na UFSM nesta sexta-feira, dia 22


O relatório do inquérito sobre o incêndio na boate Kiss, responsável pela morte de 241 pessoas, e divulgado pela Polícia Civil na tarde desta sexta-feira (22), no auditório do Centro de Ciências Rurais (CCR), campus da UFSM, responsabilizou 28 pessoas entre responsáveis diretos, representantes do poder público municipal e dos bombeiros, sendo que 16 foram indiciados criminalmente. A Sedufsm, Seção Sindical do ANDES-SN, e a Associação de Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria avaliaram o produto do inquérito policial com elogios à atuação da polícia na investigação.

Para o primeiro secretário da Sedufsm, Jerônimo Tybusch, que é também professor do curso de Direito, a polícia cumpriu, em tempo hábil, seu papel, trazendo ao conhecimento público um exaustivo inquérito policial, de mais de dez mil páginas. “Esse é o papel do inquérito policial, ter caráter investigativo. Agora passamos para uma nova fase. A grande conclusão a que se chegou foi de que o que mais contribuiu para a tragédia foi o fato de a boate ter funcionado de forma irregular. Agora é nossa responsabilidade, enquanto sociedade – incluindo a universidade e entidades sindicais – acompanharmos o desfecho, o produto desse processo”, opina.

Adherbal Ferreira, presidente da Associação de Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria, comparou a agilidade do trabalho da polícia em Santa Maria com a morosidade do trabalho executado em tragédias ocorridas em outros países. “Sabemos que nos EUA, ao morrerem cem pessoas, um inquérito demorou nove meses para vir à tona, na Argentina também demorou. Aqui ocorreu com agilidade. A polícia trabalhou muito bem, de forma rápida e eficiente. Agora é uma outra etapa, no Ministério Público, e esperamos que a justiça seja feita e não ande de forma morosa”, diz Ferreira. Ele informou também que no domingo, 24 de março, os familiares das vítimas, em conjunto com defensores e advogados, fizeram um almoço para falar sobre o assunto. Nesta segunda-feira, 25, a Associação realizará uma coletiva, que será realizada em sua sede, às 11h, na antiga reitoria da UFSM. “Falaremos com os pais, ouviremos suas versões, traçaremos metas”, complementa.

Em um clima de bastante emoção, seis representantes da Associação estiveram acompanhando a divulgação do inquérito na tarde desta sexta-feira. Após a divulgação final, eles se abraçaram comovidos.

Inquérito
Ao todo, o resultado do inquérito efetuado pela Polícia Civil apresenta 16 indiciados criminalmente e doze relacionados como possíveis responsáveis.

Já sobre os motivos que levaram ao incêndio, a Polícia Civil disponibilizou um resumo que apresenta os seguintes itens:

1 - O fogo teve início por volta das 3h da madrugada do dia 27 de janeiro, no canto superior esquerdo do palco (na visão dos frequentadores), deflagrado por uma faísca de fogo de artifício (chuva de prata) empunhado por um integrante da banda Gurizada Fandangueira.

2 – O extintor de incêndio, localizado ao lado do palco da boate, não funcionou no momento do início do fogo.

3 – A boate Kiss apresentava uma série das irregularidades quanto aos alvarás.

4 – Havia superlotação: no mínimo 864 pessoas estavam no interior da boate.

5 – A espuma utilizada para isolamento acústico era inadequada e irregular, feita de poliuretano.

6 – As grades de contenção (guarda-corpos) existentes na boate atrapalharam e obstruíram a saída de vítimas.

7 – A boate tinha apenas uma porta de entrada e saída.

8 – Não havia rotas adequadas e sinalizadas para a saída em casos de emergência.

9 – As portas apresentavam unidades de passagem em número inferior ao necessário.

10 – Não havia exaustão de ar adequada, pois as janelas estavam obstruídas.

*Com edição do ANDES-SN

 

 


 

Fonte: Andes SN por Sedufsm - Seção Sindical

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