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04/04/2013
Atualizada: 04/04/2013 00:00:00



Em busca de negociação, movimento grevista participará nesta quinta-feira (4) de uma sessão pública na Assembleia Legislativa da Paraíba com participação de deputados, governo do estado, universidade, Ministério Público e comunidade


Após 40 dias de paralisação, a reitoria da Universidade Estadual da Paraíba (Uepb) ainda se nega a negociar com a categoria. Em greve desde o dia 26 de fevereiro, os docentes reivindicam melhores condições de trabalho, reposição de perdas salariais e reajuste de 17,7%, defendem uma política justa de assistência estudantil, respeito à autonomia departamental, e denunciam a precarização do trabalho dos professores em todos os oito campi da universidade.

Nesta terça-feira (2), a Associação dos Docentes da Uepb (Aduepb) – Seção Sindical do Andes-SN – e o Comando de Greve participaram da reunião do Consumi da universidade. O presidente da Aduepb, José Cristóvão de Andrade, conta que, durante o encontro, apresentou a pauta de reivindicação aos membros do conselho e pediu providências. Segundo ele, a expectativa era de que o conselho se posicionasse em apoio à greve e encaminhasse os documentos ao governador do estado sobre a situação da universidade. “A fala do reitor Rangel Júnior mais uma vez foi dizer que não ia se expor frente ao governo e que não ia levar as cobranças feitas pelo movimento para o governador”, conta. A categoria também pediu que o reitor convidasse o setor financeiro do governo para uma reunião do Consuni, e que marcasse uma mesa técnica para d iscutir o orçamento da universidade.

Com a deflagração da greve, Andrade afirma que foi constatada a precarização do trabalho em todos os campi da universidade, como o excesso de carga horária, a falta de estrutura e de infraestrutura para a atividade docente e nos campi, uma grande quantidade de professores com problemas de saúde no trabalho, entre outros. “Há professores que bancam as atividades, pagam eventos e compram materiais. Mas a reitoria nega a existência de todos os problemas”, relata.

“A reitoria não apresentou nenhuma contraproposta da pauta dos docentes e usa o discurso de que o professor ganha muito dinheiro e que não há problemas de precarização na universidade. Diz ainda que não vai cobrar e nem confrontar nada com o governo do estado. Enquanto isso, 22 mil alunos estão paralisados esperando pela volta às aulas”, acrescenta Andrade. No dia 26 de março, foi protocolado um documento para o reitor com o detalhamento da pauta salarial, mas, segundo o diretor da Seção Sindical do ANDES-SN, nenhuma resposta foi enviada pela reitoria.

Segundo o representante do Comando de Greve, professor Tiago Bernardon de Oliveira, a reitoria afirma que não pedirá mais recurso para atender a reivindicação da categoria. “A reitoria diz que o governo repassou um montante que é insuficiente e o governo diz que passou o que tinha que passar e que não vai dar mais nem um centavo. A reitoria diz que não vai brigar com o governo do estado para conseguir mais recurso. Eles negam a precarização da universidade e dizem que está tudo bem”, conta.

O professor diz ainda que a reitoria tem atacado a bandeira de lutas da categoria. “O reitor fala que os professores não têm o que reclamar, não os chama para as negociações e ainda diz coisas na imprensa para colocar a comunidade contra a greve. Eles cobram a intensificação do produtivismo e não permitem críticas ao modelo”, acrescenta Oliveira. 

Em busca da negociação, será realizada uma sessão pública nesta quinta-feira, às 11h, na Assembleia Legislativa da Paraíba, que contará com a presença de deputados, representantes do governo, Administração Central da Universidade, Ministério Público e comunidade, além dos docentes, Aduepb e Comando de Greve. O diretor da Seção Sindical do Andes-SN acredita que a sessão forçará uma negociação entre a reitoria e o governo.  “O reitor não assume publicamente o problema com o orçamento. Ele diz que não tem como atender o reajuste de 17,7%, mas não explica o motivo. A gente espera que esta sessão encaminhe uma negociação imediata. Caso contrário, a greve pode ter radicalidade nas ações”, diz Andrade. Caso não haja negociação, a categoria pode entrar com ação na justiça para o cumprimento da data-base.

O 1º vice-presidente da Regional Nordeste II do Andes-SN, Josevaldo Cunha, vê a realização da sessão pública como uma nova oportunidade para negociação. “Com a sessão na Assembleia Legislativa, a categoria pressiona a reitoria e o governo do estado para uma mesa de negociação e para discutir os problemas. A expectativa é que a reitoria e o governo reconheçam a greve, e que seja criado um canal de comunicação para conversarmos sobre a pauta de greve e buscar soluções”, diz.

Efeitos da greve
Apesar das dificuldades de negociação, o presidente da Aduepb avalia que o movimento obteve conquistas, a partir da realização de vários eventos que garantiram a paralisação e o apoio de todos os campi na greve. “Muitos problemas que vinham acontecendo no interior da faculdade se tornaram públicos e tendem a não acontecer mais, como o pagamento dos professores substitutos que não estava sendo feito e a efetivação do conselho curador, que havia sido criado, mas não efetivado”, cita Andrade. Ele acrescenta que tem aumentado a participação da comunidade acadêmica e da categoria no movimento.

Cunha afirma que o Andes-SN tem buscado acompanhar de perto toda a situação na universidade, e contribuído com a greve. “A percepção que se tem é que a categoria docente da universidade percebeu que a greve deveria ser deflagrada como foi, tendo em vista todos os problemas em relação às condições de trabalho, que tem se deteriorado em uma velocidade considerável, com o aumento de carga horária, presença significativa de professores substitutos, entre outros”, avalia.

Por outro lado, o diretor do Andes-SN analisa as dificuldades em torno do movimento paredista. “A greve não tem conseguido romper o silêncio e a posição da reitoria de não reconhecer o movimento, e nem abrir canais de negociação com a reitoria e com o governo do estado”, conta. O diretor do Andes-SN diz ainda que a sociedade paraibana reconhece a importância da greve na busca por melhores condições de trabalho para os docentes e estudantes, e que é preciso ter uma solução negociada entre o comando de greve, a Aduepb, a reitoria e o governo do estado. “É necessário conquistar a revalorização do trabalho, condições de trabalho e estudo para a comunidade universitária e retomar o funcionamento da universidade após o encerramento das negociações, para que não fique a sensação de que não há solução para a crise instalada na universidade”, alerta Cunha.

Greve dos técnicos-administrativos
Andrade conta que nesta sexta-feira (5), os técnicos-administrativos farão uma assembleia para discutir a proposta feita pela reitoria. “O reitor ofereceu um ticket-alimentação de R$ 375 parcelados em três anos. Avaliamos esta proposta como indecente, provocativa e humilhante uma vez que os técnicos têm direito a data-base. Acreditamos que a proposta será rejeitada pelos técnicos, pois não contempla os aposentados e nem garante a permanência deste abono”, explica Andrade.

Fonte: Andes SN

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