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05/04/2013
Atualizada: 05/04/2013 00:00:00


Pesquisadora alerta sobre a necessidade de regularizar o uso das águas subterrâneas no Tabuleiro

 
Segundo Cleuda Custódio, alguns dos novos condomínios construídos na parte alta de Maceió não solicitaram outorga do Estado para perfurar poços
 
01 de Abril de 2013
 
 
 
Pesquisadora alerta sobre a necessidade de regularizar o uso das águas subterrâneas no Tabuleiro

Professora doutora Cleuda Custódio Freire

Lenilda Luna - jornalista

A professora Cleuda Custódio é graduada em Engenharia Civil pela Universidade Federal de Alagoas e tem doutorado em Gestão de Águas Subterrâneas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Junto com a professora Ivete Vasconcelos, ela coordenou uma pesquisa em rede, com a participação de mais duas universidades, Universidade de Santa Maria e Universidade Federal da Paraíba,  sobre o uso dos lençóis freáticos no abastecimento de água das cidades.

A pesquisadora destaca que é preciso racionalizar o uso da água subterrânea, devido ao risco de contaminação e de escassez, por isso o Estado instituiu instrumentos de controle como a outorga e cobrança pelo uso da água. "Na região do Tabuleiro, por enquanto a preocupação não é com a quantidade de água, mas com a qualidade, já que as perfurações, numa região com saneamento básico precário, onde são usadas fossas e sumidouros, podem contribuir para a contaminação desses len çóis freáticos", alerta a pesquisadora.

Uma resolução 396 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), de abril de 2008, definiu a classificação das águas subterrâneas em seis classes, de acordo com o grau de pureza. A classe especial são águas dos aquíferos destinados à preservação de ecossistemas em unidades de proteção ambiental. Depois disso, tem a classificação de 1 a 5, sendo que os aquíferos classe 1 são aqueles sem alteração de qualidade, caindo de qualidade nas classes 2, 3 e 4. Os aquíferos de classe 5 são aqueles que já foram tão alterados pela ação do homem que já não correspondem mais aos requisitos exigidos para o uso.

Com o crescimento da região metropolitana de Maceió, as águas subterrâneas estão sendo cada vez mais utilizadas para o abastecimento. A pesquisa destaca que a água subterrânea geralmente é considerada mais limpa, está mais protegida no solo, mas com esta urbanização acelerada, há um comprometimento dos lençóis freáticos, o que preocupa, já que atualmente essa fonte subterrânea representa 70% da fonte de abastecimento da capital alagoana. "Durante a pesquisa, avaliamos poços artesianos da parte alta e baixa da cidade. Os da parte baixa estão mais comprometidos, principalmente os próximos aos cemitérios ou os que estão muito próximos à costa e sofreram um processo de intrusão salina. Na parte alta, o maior comprometimento se deve ao uso de fossas, já que não há rede coletora de esgoto em grande parte das áreas habitadas. Com isso, os poços examinados estão na classificação 3 ou 4", alerta a pesquisadora.

O desrespeito a lei de outorga

O grupo de pesquisa monitorou 17 poços, escolhidos de acordo com as potenciais fontes de contaminação dos aquíferos da região metropolitana de Maceió. No período de janeiro a setembro de 2009 foram realizadas 5 coletas. Durante o monitoramento dos poços artesianos na parte alta da cidade, os pesquisadores detectaram também que a lei de outorga, definida pela Lei 5965, de 1997, não está sendo respeitada por todos os condomínios e empreendimentos comerciais instalados na região. "A autorização para perfurar poços deveria ser solicitada pelas empresas à Secretaria Estadual de Recursos Hídricos antes mesmo das construções que vão precisar de abastecimento. Mas vimos que isso nem sempre está acontecendo, o que torna a situação mais preocupante", questiona Cleuda Custódio.

A Política Estadual de Recursos Hídricos define um gerenciamento integrado das águas superficiais e subterrâneas, para realizar o controle técnico das obras de oferta hídrica e garantir o respeito às leis ambientais de âmbito federal e estadual. O órgão Gestor do Sistema Estadual de Gerenciamento Integrado de Recursos Hídricos é a autoridade responsável pelas outorgas de direito de uso dos recursos hídricos. "Essa coordenação é importante para evitar uma proliferação de poços na mesma área, comprometendo a qualidade da água e a capacidade de abastecimento. As pessoas esquecem que esses sistemas são integrados e um poço perfurado em um local pode afetar as condições de outros existentes nas proximidades", explica a pesquisadora.

 
Imagens
Poços monitorados durante a pesquisa
Fonte: Ascom Ufal

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