11/04/2013
Atualizada: 11/04/2013 00:00:00
Mujica, do partido esquerdista Frente Ampla, admitiu que o uso dessa linguagem "pouco tem a ver com a liberdade de imprensa". Além de se desculpar, o líder dedicou palavras de carinho à nação vizinha e seus governantes.
A Argentina "sofre há anos" uma "campanha quase permanente" que afirma que o país "está caindo" e "a caminho de ser uma república paupérrima", disse. No entanto, esse país "cresceu muito e nunca teve um governo que fez tanto pelos conterrâneos como o atual", acrescentou Mujica, para quem os vizinhos "têm problemas, mas quem não tem?".
O chefe de Estado disse ter "tentado fazer todo o possível para sustentar uma relação que leve em conta os interesses econômicos do povo que trabalha".
Mujica afirmou que "há medidas argentinas" que "afetam" os uruguaios, em relação a decisões do governo de Cristina Kirchner para controlar as importações e a saída de dólares do país. No entanto, o governante uruguaio ressaltou: "quando a Argentina vai bem, nós (uruguaios) nos beneficiamos, e quando eles vão mal, nós padecemos".
Em entrevista ao jornal local La República, Mujica confirmou que vai enviar uma carta a Cristina Kirchner para explicar seus polêmicos comentários, mas não detalhou o conteúdo da mesma, argumentando preferir que "a senhora presidente seja quem a torne pública, se o considerar conveniente".
As tensões entre os dois países começaram há uma semana, depois que um microfone aberto em entrevista coletiva captou uma fala do presidente do Uruguai na qual dizia a um interlocutor: "esta velha é pior que o vesgo. O vesgo era mais político. Esta é obstinada". Mujica citava assim Néstor Kirchner (2003-2007) e sua viúva e sucessora no cargo, Cristina Kirchner.
No mesmo dia, a Chancelaria argentina lamentou em comunicado "profundamente" a declaração do líder uruguaio, que considerou "inaceitáveis", e informou que Cristina Kirchner não fará comentário algum a respeito.