29/04/2013
Atualizada: 29/04/2013 00:00:00

Até a primeira audiência sobre o caso, María não teve qualquer contato com o advogado. Além disso, sua chefe -- a jovem trabalhava em uma empresa do setor têxtil -- testemunhou contra ela, argumentando que suspeitava da gravidez da funcionária após seguidas faltas ao trabalho.
“A única coisa que pude argumentar foi que faltava muito por questões médicas. Alguns meses antes, quando fui a um pronto socorro por inchaço nos pés, o médico receitou apenas anti-inflamatórios. Em nenhum momento falaram que eu estava grávida. Pensei que o inchaço era pelo excesso de trabalho, porque passava 24 horas de pé quando não estava de folga. Me condenaram sem provas”, lamentou.
Além de estar presa, María também enfrenta a incerteza financeira de sua família, que dependia de seu salário para sobreviver. “Minha sogra e meu filho não podem vir me visitar porque não têm dinheiro. Não sei como ela tem feito para pagar o colégio do meu filho. Ele ainda sofre de broncopneumonia e não sei como está sua saúde."
Para a advogada do Grupo Cidadão pela Despenalização do Aborto, Dennis Rosa, o caso de María é “emblemático”. “Ela foi condenada pelo aborto, como se o tivesse provocado. Ninguém levou em conta a possibilidade da influência de fatores alheios à sua vontade. Ela foi condenada por 40 anos, sendo que uma testemunha, que trabalhava com ela, disse que María sabia que estava grávida desde janeiro de 2011, mas o aborto ocorreu apenas em novembro”, argumenta.
Enquanto espera que o recurso seja analisado pela Justiça salvadorenha, María vive em Ilopango, onde a quantidade de presas supera em 450% a capacidade local. A decisão pode demorar até três anos.