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03/06/2013
Atualizada: 03/06/2013 00:00:00


Data: 03/06/2013

O escritor moçambicano Mia Couto é o vencedor da 25º edição do Prêmio Camões – mais importante distinção para autores de língua portuguesa, entregue pelos governos de Brasil e Portugal -, divulgado na última terça-feira (28).Ele é o segundo escritor moçambicano a receber o prêmio, dado em 1991 para José Craveirinha.   

 

A inovação estilística e a profunda humanidade do escritor, em trinta livros que extravasaram as fronteiras do seu país e foram reconhecidas pela crítica, foram destacadas pelo júri na escolha. Segundo matéria publicada no site Esquerda.net, o jurado José Carlos Vasconcelos afirma que “foi ponderado tudo o que significa [a obra de Mia Couto] nas literaturas de Língua Portuguesa e na de Moçambique. Inicialmente, foi muito valorizada pela criação e inovação verbal, mas tem tido cada vez mais solidez na estrutura narrativa e capacidade de transportar para a escrita a oralidade”.  

Além de Vasconcelos, foram jurados: a catedrática da Universidade Nova de Lisboa, Clara Crabbé Rocha, o escritor moçambicano José Paulo Borges Coelho, o escritor angolano José Eduardo Agualusa, o crítico e professor da Universidade de Campinas Alcir Pécora e o diplomata Alberto da Costa e Silva, membro da Academia Brasileira de Letras, pelo Brasil.   

O editor da Editorial Caminho, Zeferino Coelho, que tem publicado a obra de Mia Couto há 30 anos, entre livros de poesias, contos, crÿnicas e ficção, afirmou: “já estava à espera há muito tempo que ganhasse o prêmio. É mais do que merecido pela obra notavel que tem publicado”.   

Antes do anúncio da decisão, Mia Couto conversou com a Agência Lusa, no Rio de Janeiro. "Logo hoje, que é um daqueles dias em que a gente pensa: vou jantar, vou deitar-me e quero me apagar do mundo. De repente, apareceu esta chamada telefónica e, obviamente, fiquei muito feliz", disse.

"Não espero nunca uma coisa destas. Tenho com os prêmios uma relação de distância, não de arrogância, mas pensando que não vale a pena olhar para eles porque a gente trabalha por outra razão, que são outros prémios mais importantes que este", declarou o escritor à Agência.  

Para Mia Couto, ele é também um "contributo" para acabar com o pessimismo em relação a África. "Acho que é bom que este continente dê contas de si e sinais de si por via da produção artística".  

Homenageado há dois anos, em Penafiel, nas Escritarias, Mia Couto deixou um apelo para o tempo presente: “é preciso sair à rua, é preciso revoltarmo-nos, é precisa esta insubordinação”. O escritor repetiu o desafio à Agência Lusa: "as pessoas, acho que todas, se compenetraram, principalmente nos últimos anos, que isto não é uma crise localizada, não é uma falha, nem é um erro de um certo sistema, mas que é o próprio sistema que tem que ser radicalmente questionado".   

O escritor acha que não há outro caminho que não seja a insubordinação. "Não digo insubordinação como se ela, por si mesmo, trouxesse as respostas automaticamente. Mas tem que haver uma insubordinação, primeiro, em termos do espírito, em termos daquilo que nós temos que não aceitar deste mundo e da explicação que se dá do mundo", explicou Mia Couto.   

* Com informações do site Esquerda.net * Imagem: retirada do site Esquerda.net - Maique Martins/flickr 



Fonte: Andes SN

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