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03/06/2013
Atualizada: 03/06/2013 00:00:00


 

Objetivo do 7º Encontro Nacional do FBSSAN é debater a comida como patrimônio cultural, refletindo sobre diferentes perspectivas: produção, processamento, abastecimento e consumo de alimentos

 

03/06/2013

 Gilka Resende,

de Porto Alegre (RS)

Tem início nesta terça-feira (4), em Porto Alegre, o 7º Encontro Nacional do Fórum Brasileiro de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (FBSSAN). Com o tema “Que alimentos (não) estamos comendo?”, o evento tem como objetivo debater a comida como patrimônio cultural, refletindo sobre diferentes perspectivas: produção, processamento, abastecimento e consumo de alimentos.

O evento vai até o dia 6 de junho, e reunirá cerca de 130 pessoas de diferentes campos de conhecimento: Saúde, Nutrição, Direitos Humanos, Agroecologia, Reforma Agrária, Gênero, Educação Popular, Indígena, dentre outros. Além de analisar os impactos de um modelo de agricultura que concentra terras e tem como base o uso de venenos - o agronegócio -, também será debatido o papel do Estado na garantia do direito humano à alimentação.

Vanessa Schottz, da Secretaria do FBSSAN, lembra que a questão alimentar não está restrita ao papel biológico da manutenção da vida, tendo relação direta com as dinâmicas econômica, social e ambiental. Em tempos de artificialização da produção, o próprio conceito de alimento será colocado em questão. O desafio será refletir sobre o sentido das palavras “qualidade” e “saudável”.

O Brasil é campeão mundial no uso de venenos agrícolas desde 2008, segundo a Campanha contra os Agrotóxicos e pela Vida. No país, até mesmo a tradicional combinação “arroz e feijão” já está ameaçada pela transgenia. “Hoje vivemos a especialização da produção, ou seja, cada local volta seu cultivo, muitas vezes, para apenas um alimento. Isso tem a ver com a competitividade dos mercados e vai totalmente contra a diversificação dos alimentos, tão importante para a soberania e a segurança alimentar de cada país”, garantiu Vanessa.

 

Comida como patrimônio cultural

Regina Miranda, do Fórum Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável (Fesans/RS), ressalta que houve o cuidado de guardar na prática uma coerência com a proposta do encontro. “O cardápio terá comidas de influência indígena, negra e portuguesa. Também vamos ter as culinárias alemã e italiana, fortes no sul por causa das migrações”, contou.

Além disso, os alimentos foram adquiridos na Loja da Reforma Agrária, que fica no Mercado Público Central de Porto Alegre. “Sem agrotóxico, outros químicos ou sementes transgênicas. Acreditamos que a agroecologia é o modo adequado de produção, já que recupera, promove e mantém o equilíbrio com a natureza. Parte do princípio que os seres humanos têm o direito de se alimentar adequadamente, e nem por isso precisam pagar caro”, afirma Regina.

Haverá, ainda, alimentos para os que não podem comer glúten, açúcar ou lactose. Para os que não comem carne, serão servidos pratos vegetarianos ou veganos. A programação do 7º Encontro Nacional do FBSSAN também conta com oficinas sobre a agricultura urbana; produção artesanal e agricultura familiar; regulação da publicidade infantil de alimentos; dentre outras

Fonte: Brasil de Fato

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