03/06/2013
Atualizada: 03/06/2013 00:00:00
Cerca de 2 mil estudantes de todo o país participaram do II Congresso da Anel, realizado entre os dias 31 e maio e 2 de junho, em Juiz de Fora (MG)

Realizado entre 31 de maio e 2 de junho, o II Congresso da Assembleia Nacional de Estudantes – Livre (Anel) reuniu cerca de 2 mil estudantes de todo o país, além de delegações da Espanha, Síria, Canadá, Chile, Costa Rica e Argentina em Juiz de Fora (MG). O Congresso contou ainda com a presença dos convidados Falilu, do movimento sindical do Senegal, e da italiana Maren, representante do movimento Stop The Wall, que luta contra a opressão do Estado de Israel ao povo palestino. A presença da solidariedade internacional e o exemplo de luta destes militantes foram destaque no II Congresso da Anel.
A presidente do Andes-SN, Marinalva Oliveira, participou do debate ‘A Educação Pública Não Pode Esperar: Por outro Projeto de Educação’, realizado na manhã de quinta-feira (31), juntamente com o professor do Ifet-SP, Valério Arcary. Na ocasião, foram discutidas questões relacionadas às políticas do governo Dilma e ao Plano Nacional de Educação (PNE). “Além de ficar distante da meta do PIB, mesmo para daqui 10 anos, os royalties são recursos provenientes da privatização do petróleo, do qual somos contra”, explicou Marinalva. A presidente do Sindicato Nacional contou ainda que o plano de lutas do Andes-SN foi apresentado aos estudantes.
“O Congresso da Anel foi muito bom no sentido de que quase dois mil estudantes de todo o país estavam ali reunidos para aprovar o seu plano de lutas, e o debate acumulado pelos docentes no Andes-SN contribuiu muito nesta discussão”, destacou Marinalva. Para a presidente do Sindicato Nacional, a presença da entidade no Congresso foi muito importante, pois significou o fortalecimento da unidade para as lutas em defesa da educação pública, gratuita e de qualidade. “As políticas do governo Dilma têm deixado claro o direcionamento privatizante, inclusive com investimento público para as empresas privadas que visam o lucro nesse setor”, reforçou.
Segundo Marinalva, as ações unitárias entre docentes, estudantes e técnicos-administrativos precisam ser cada vez mais fortalecidas num sentido estratégico. “O vigor do movimento estudantil independente, expresso nesse Congresso da Anel, é animador, no sentido da boa luta que precisamos travar. A aproximação entre professores e estudantes, ampliada em2012 durante a greve, foi fundamental para a reorganização e integração, e será muito mais importante haja vista a intensa disputa presente na definição do PNE, uma vez que os parlamentares que representam o governo estão atuando para desfocar a responsabilidade do Estado com o financiamento da educação pública”, explica. A presidente do Andes-SN avalia que a conjuntura para os próximos anos exigirá uma forte reação contra o aprofundamento da privatização do ensino e da educação. “O governo está divulgando uma falácia para camuflar sua falta de compromisso com o financiamento da educação, porque nem mesmo com estas fontes oriundas da privatização do petróleo serão atingidos os investimentos necessários, e nós reivindicamos os 10% do PIB já destinados unicamente para a educação pública”.
Debate sobre Educação e Plano de Lutas
Durante o II Congresso, os estudantes definiram o Plano de Lutas da Anel. Os delegados e participantes do Congresso se dividiram em grupos de discussão para refletir sobre as lutas do movimento estudantil nos setores de instituições de ensino públicas, privadas e também no movimento secundarista. Muitos ativistas relataram sobre a difícil situação de estudo dos cursos e escolas, os problemas que enfrentam relacionados à falta de infraestrutura, assistência estudantil, de professores, além da lógica de ensino voltada aos interesses do mercado, com uma forte presença de empresas privadas controlando projetos de pesquisa, e recebendo recursos públicos do governo federal para expandir os seus lucros. Além disso, discutiu-se a necessidade de continuar a luta pela aplicação imediata dos 10% do PIB para a educação pública, e colocar de maneira clara que a Anel não defende que este financiamento se dê pela privatização do petróleo.
Uma das principais propostas apresentadas pelos grupos foi a intensificação das lutas em defesa da assistência estudantil. A Anel deverá realizar no mês de agosto, época da aprovação do orçamento da União para 2014 no Congresso Nacional, uma grande Jornada Unificada por Assistência Estudantil, convocando todo o movimento estudantil brasileiro a pressionar o governo pelo investimento de no mínimo de 2 bilhões para o Pnaes.
Além disso, a Anel deverá compor a construção unitária do Encontro Nacional de Educação, que será realizado em 2014, junto ao Andes-SN, Sinasefe, CSP-Conlutas, entre outras entidades. A partir dos acúmulos programáticos das discussões pretende-se elaborar um Projeto de Educação da Anel.
Sobre o plano de luta, debateu-se que uma das principais campanhas nacionais da Anel será contra a restrição da meia-entrada e o monopólio das carteirinhas da UNE, com a confecção de um abaixo-assinado e um Manifesto de entidades. A entidade também deverá realizar uma ampla Campanha Nacional intitulada “Passe Livre Já, Brasil!”, para fortalecer a luta por transporte gratuito e de qualidade para todos os estudantes e desempregados e contra o aumento das passagens, dando continuidade às fortes lutas protagonizadas pela Anel em Teresina, Porto Alegre e Natal, e que agora já avançam para São Paulo e Rio de Janeiro.
O Congresso também preparou a intervenção da Anel nas iniciativas da CSP-Conlutas e dos trabalhadores de inúmeras categorias profissionais que no dia 24 de abril realizaram a grande Marcha em Brasília, e que agora seguem com as lutas realizando atos regionais no dia 12 de junho como parte da Campanha pela Anulação da Reforma da Previdência.
Luta da juventude no mundo
No dia 30 de maio, foi realizado o “Espaço Internacional – Muitos Jovens, uma só Luta”, mediado por Pedro Camargo, do DCE Unifesp, e Aline Monnerat, da Executiva Nacional da Anel e do Diretório Acadêmico de Geografia da UFJF. A atividade emocionou todos os presentes, com destaque para a intervenção dos representantes dos quatro principais processos de luta da juventude no mundo, que marcaram os últimos anos.
Do Chile, estiveram presentes três estudantes, que expressaram o movimento estudantil latino-americano de mais tradição e combatividade. Do Quebec (Canadá), Émilie representou o ASSÉ, entidade estudantil independente que mobilizou e provocou uma greve pela educação, que posteriormente se transformou em greve social, parou o país por seis meses e levou às ruas mais de 200 mil jovens e trabalhadores. Da Espanha, estiveram presentes lideranças do movimento estudantil de Madri, parte da geração de juventude indignada que resiste para não pagar a conta da crise, defendendo seu direito ao futuro. Também participaram estudantes da “Corriente Convergencia”, da Universidade de Costa Rica, e da Argentina, que participam do Coletivo “El Viraje!”. Também entre os presentes, estavam representantes da União dos Estudantes Livres da Síria – Uels.
Andes-SN faz debate de carreira no Congresso da UNE
O Sindicato Nacional também esteve presente no Congresso da UNE na última quinta-feira (30/5) para participar do debate sobre carreira nas Instituições Federais de Ensino (IFE). O 1º vice-presidente do Andes-SN, Luiz Henrique Schuch, compôs a mesa com o representante da Fasubra, Paulo Henrique dos Santos. Os dois dirigentes levaram aos estudantes um panorama da discussão da carreira nas IFE junto com o governo federal, das alterações impostas pelo Executivo, que entraram em vigor em março deste ano, e o impacto destas na qualidade do ensino oferecido nas IFE. Segundo o diretor do Andes-SN, Luiz Henrique Schuch, ficou mais uma vez evidente que os tensionamentos de fundo com o Governo Federal, que envolvem concepções de carreira, revelam um embate de projetos sobre os rumos da universidade pública brasileira.
Durante o encontro foi realizada a eleição da nova diretoria da UNE. O processo foi marcado por um expressivo crescimento dos grupos que compõe a chamada esquerda da UNE sem, contudo, ameaçar o controle majoritário da entidade nitidamente pró-governo.
* Com informações e fotos da Anel